Caso Beatriz: advogado atribui à polícia responsabilidade por deletar imagens de HDs

Advogado do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Clailson Ribeiro

O advogado Clailson Ribeiro, que representa o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, eximiu, em entrevista à TV Grande Rio, a responsabilidade da instituição de ter deletado as imagens dos HDs e atribuiu a falha ao manuseio da polícia civil.

“Nós tratamos de prontamente entregar todos os HDs que estavam gravando as imagens do colégio da época do fato”, ressaltou o advogado ao apresentar ofício em que o então delegado Marceone Ferreira, responsável pela investigação do assassinato da menina Beatriz Angélica, ocorrido no dia 10 de dezembro de 2015, solicitou as imagens gravadas nos HDs.

De acordo com Dr. Clailson Ribeiro, o acusado de ter apagado as imagens, Alisson Henrique Carvalho, entrou na sala no dia 04 de janeiro de 2016 justamente para cumprir a solicitação da polícia.

“Um ato rápido, seria apenas de retirar os HDs. Os Hds foram postos dentro de uma caixa e no dia seguinte foram encaminhados para a polícia que acusou o recebimento dos três HDs, recebeu esses três HDs, e até então estava tudo certo”, afirmou.

O advogado mencionou que somente um ano depois da primeira solicitação formal, em 13 de dezembro de 2016, é que a polícia informou o colégio sobre a formatação automática das imagens de um dos HDs e solicitou que a instituição pagasse pela formatação das imagens que possivelmente seriam do suspeito de matar Beatriz.

“O que o colégio também atendeu prontamente efetuando os pagamentos no mesmo dia da solicitação, ou no dia seguinte, e que inclusive resultou na recuperação efetiva dessas imagens desse HD que foi formatado lá na polícia”, assegurou.

Sobre a acusação contra Alisson Henrique, Dr. Clailson disse acreditar que “no decorrer de 2016 a polícia não apontou qualquer tipo de informação de que havia imagens perdidas e que a única vez que o fez, ela fez em dezembro de 2016, ou seja, quase um ano depois da entrega dos HDs, e no próprio ofício onde ela faz isso, ela diz claramente que esse acidente, ou esse incidente, aconteceu dentro da própria polícia e nos pedindo ajuda para custear a recuperação dessas imagens”.

Por fim, ele afirmou que o setor jurídico do colégio vai protocolar no Ministério Público uma série de documentos que comprovam que a instituição vem colaborando com as investigações para que seja apurado o motivo dessas divergências  de informações que estão sendo prestadas.

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que as investigações continuam em segredo de Justiça.

Confira a integra da nota:

“A Polícia Civil de Pernambuco informa que as investigações sobre a morte de Beatriz Mota, ocorrida no dia 10 de dezembro de 2015, continuam sobre segredo decretado pela Justiça. A delegada Polyana Neri está exclusivamente na investigação do caso, com uma equipe de quatro policiais à disposição e estrutura necessária, além do apoio do Ministério Público e da Diretoria de Inteligência da PCPE. Durante o último ano foram escutadas 50 pessoas, que ainda não haviam sido ouvidas, e outras 30 testemunhas foram reinquiridas. Um pedido de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão foram solicitados à Justiça relativos a uma pessoa suspeita de ter atrapalhado o andamento das investigações. O pedido de prisão foi negado pela Justiça, porém o mandado de busca e apreensão foi cumprido. Aparelhos celulares, computadores, pen-drives e HDs foram recolhidos e perícias estão sendo realizadas pelo Ministério Público de Pernambuco. Parte do material também se encontra no Instituto de Criminalística sendo analisado. O inquérito que hoje conta com 19 volumes e mais de 4 mil páginas está atualmente no MPPE e a família da vítima terá acesso a todo material. A polícia trabalha incansavelmente na apuração do caso que é de extrema complexidade para responder a família e a toda sociedade pernambucana, apontando o autor dessa morte que tanto chocou a todos. Por fim, a PCPE reafirma sua confiança na elucidação do caso”.

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