Vítimas pediram para motorista “maneirar” velocidade, diz sobrevivente de tragédia na BA

Em depoimento, o condutor disse ser “acostumado a dirigir naquela pista”. (Foto: Internet)

“Vi quando o ônibus ficou derrapando no asfalto. Foi uma tragédia terrível.” Sobrevivente do acidente que deixou ao menos cinco mortos e 27 feridos após um ônibus tombar em Piritiba (BA), na manhã de quinta-feira (12), o comerciante Edimilson Pimentel, de 50 anos, disse que o motorista não atendeu a pedidos de passageiros para “maneirar” na velocidade.

O temor, segundo ele, eram as curvas sinuosas da estrada palco da tragédia – a BA 421, na região da Chapada Diamantina. “Pela experiência que tenho em 30 anos como motorista, o ônibus ia a uns 70 km, 80 km. Algumas pessoas dormiam, mas vi outras pedindo para que ele [o condutor] maneirasse, mas ele continuou correndo demais. Aliás, desde o começo do passeio, ele tinha saído em alta velocidade”, acrescenta Edimilson, que seguia com familiares numa excursão em comemoração ao Dia das Crianças. O veículo transportava 46 passageiros.

O destino do passeio, que teve início em Itaberaba, seria um parque aquático na cidade de Jacobina. Se chagasse ao fim, o trajeto entre um município e outro duraria cerca de duas horas. Na altura do km 17 da rodovia, próximo à fazenda Santa Luzia, o ônibus tombou na pista.

Edimilson conta que viajava na companhia da esposa, Joisa Pimentel, 45, três primas, uma irmã e duas sobrinhas pequenas. Uma das meninas, Penélope Pimentel Lopes, 2, morreu antes mesmo de receber os primeiros socorros. O corpo dela foi velado na residência onde ela morava, em Itaberaba, e enterrado no cemitério local, na manhã de sexta-feira (13). Sua irmã gêmea, Pedrita Pimentel Lopes, não corre risco de morte

Negligência, imprudência ou imperícia 

O delegado Eduardo Brito, titular da 16 ª Coorpin (Coordenadoria Regional de Polícia do Interior) de Jacobina, afirmou ao neste sábado (14) que o motorista do ônibus alegou ter perdido o controle da direção do ônibus. Em depoimento, o condutor disse ser “acostumado a dirigir naquela pista”, por onde transitava há pelo menos dois anos.

À Polícia Civil, o rodoviário ainda justificou que o coletivo pode ter tombado após uma peça na barra de direção quebrar. Brito, contudo, afirma que só o laudo pericial definitivo apontará com precisão as causas do acidente.

“Essa é a alegação do motorista. Creio que, até a semana que vem, a perícia vai precisar se a peça quebrou antes ou depois do acidente. Independentemente de ter sido falha mecânica ou falha humana, os responsáveis poderão responder por homicídio culposo. Seja por negligência, imprudência ou imperícia”, diz o delegado.

Fonte Uol

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