Abate irregular de animais: Matadouro de Juazeiro engana MPPE e Adagro

BOMBAO fechamento do matadouro de Petrolina está trazendo grandes revelações sobre o expediente fraudulento que alguns envolvidos estavam praticando, chegando inclusive a enganar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a Agência de Defesa Agropecuária de Pernambuco (Adagro).

Semana passada, através de despacho do Ministério da Agricultura enviado ao gabinete do deputado federal Adalberto Cavalcanti (PTB), a população de Petrolina tomou conhecimento que a empresa GMJ Distribuidora de Carnes EIRELI-ME (Abatedouro de Juazeiro) não tinha os selos SISBI nem  SIF que autoriza a comercialização de carnes entre Estados e conseguiu enganar inclusive o Ministério Público de Pernambuco.

Desde janeiro quando começaram os abates em Juazeiro (BA), as carnes enviadas  para Petrolina estão sem o selo.

As carnes de bode comercializadas na região estão irregulares, sem a devida inspeção, que é determinada pelo Ministério da Agricultura, ou seja, estão sendo comercializadas de forma clandestina, vez que a empresa não tem também CNAE para o abate, sendo deste modo os comerciantes também lesados, pois não sabiam de tamanha irregularidade.

Ao tomar conhecimento da falta dos selos que autorizam a comercialização legal, o Ministério Público de Pernambuco concedeu um prazo de 48h para que a GMJ Distribuidora de Carnes, apresente justificativa informando o motivo pelo qual comercializava essas carnes de modo irregular.

Segundo o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica a empresa GMJ Distribuidora de Carnes IRELI-ME, só tem como atividade principal Comércio Atacadista de Carnes Bovinas e Suínas e secundárias – Comércio varejista de Carnes- Açougues e Preparação de  subprodutos do abate -, não constando portanto, o abate de animais como vinha praticando.

CNPJ MATADOURO JUAZEIRO

Por outro lado, as perguntas que não querem calar são: porque o MPPE permitiu que fosse fechado o matadouro da cidade de Petrolina, se não tinha outra opção  legal para abate? Por que Vigilância Sanitária do Município está conivente com esse absurdo? E por que a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), que emite o selo da SISBI, não informou a Adagro sobre a irregularidade?

Enquanto isso, os marchantes de Petrolina estão com suas atividades paradas, sem aferir nenhuma renda de modo que o prejuízo aos que foram submetidos só tem aumentado, por conta da insensibilidade dos responsáveis pelo fechamento do matadouro municipal.

“Nossa vida tem sido de muita luta, porque tínhamos um trabalho, agora estamos todos quebrados devendo a fornecedores, parados e sem rumo. Esperamos que depois de tudo isso o Ministério Público e a prefeitura de Petrolina, se conscientizem de que a melhor saída é a reabertura urgente do nosso matadouro. Lá em Juazeiro não tínhamos direito ao couro, eles abatem e ficam com o couro, até as fateiras que vendiam buchos, mocotó, fígado e demais miúdos estão paradas porque o frigorífico fica com tudo”, informou um dos marchantes.

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