Aparelhos eletrônicos devem ficar mais caros em 2016

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Smartphones, PCs, notebooks e tablets estarão mais caros em 2016. Com a Medida Provisória 690/15, o Governo Federal optou por antecipar o fim da Lei do Bem (11.196/05), criada há 10 anos. Assim, os aparelhos que antes eram vendidos a um preço mais acessível devido à isenção da taxa de 9,25% do PIS/Pasep/Cofins, agora terão um reajuste de, no mínimo, 10%. O aumento das alíquotas para 11,75% e a alta do dólar também irão impactar no valor final repassado para os consumidores.

“É difícil dizer o quanto [preço dos produtos] vai subir. Mas é algo significativo para o consumidor. A alta do dólar, os custos com os componentes, tudo isso irá influenciar no valor final do produto. E R$ 100 faz diferença para o usuário. Nossa preocupação é que esse impacto será maior para alguém que compra o primeiro PC”, explica o gerente de Marketing para a Intel Brasil, Carlos Augusto Buarque.

O questionamento é como levar o acesso a um computador a 50% dos lares no Brasil, já que, segundo pesquisa do Pnad 2014, o número de domicílios com PCs já chegou a 49,5% do total. Já estimativas do Ministério da Fazenda, publicadas no Portal Brasil, revelaram que, até julho de 2014, a produção de computadores e outros dispositivos em território nacional saltou de quatro milhões de unidades ao ano para 22 milhões. Os resultados incluem tablets e notebooks.

Para a Intel, uma solução seria trabalhar em um portfólio com produtos mais competitivos. “Produtos com processadores Intel Pentium, por exemplo, apresentam bons desempenhos para acessar a internet, para trabalhos escolares e outras demandas. Os chips contam ainda com um custo mais competitivo. Posicionar melhor esse portfólio da Intel permite que as fabricantes trabalhem com produtos com preços mais competitivos”, avalia Carlos Augusto Buarque.

Mesmo com esse reajuste nos preços dos equipamentos, o executivo da Intel não acha que o fim da Lei do Bem irá adiar a inovação no Brasil. “O mercado não vai parar. Vamos ter lançamentos, mas isso terá um impacto no custo. A inovação irá acontecer no País porque segue a tendência mundial. O mercado não para, mas o fim da Lei do Bem irá afetar a inclusão digital”, ressalta.

A Folha de Pernambuco entrou em contato com as principais fabricantes no Brasil. Por meio de nota, a Asus informou que a empresa “respeita as leis brasileiras vigentes e acompanha de perto os textos em discussão. Seu comprometimento com a entrega de luxo acessível a todos continua válido”. A Samsung disse não ter um porta-voz para comentar o assunto. Já a LG e a Lenovo respondem através da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), mas até o fechamento desta edição, a assessoria da organização não retornou os contatos.

Saiba mais:
Multilaser – A empresa conseguiu uma liminar para estender a Lei do Bem para os produtos da marca até 2018. Em caráter excepcional, a brasileira conseguiu provar que é capaz de oferecer preços mais acessíveis ao consumidor.

2017 – Mesmo com a suspensão durante 2016, a Lei do Bem pode voltar a valer já em 2017. A proposta do deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) visa a cobrança de 50% do PIS/Cofins na venda dos produtos, sendo zerado apenas em 2019. (Folha de PE)

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