“Até que provem o contrário, é um processo irreversível”, diz reitor da Univasf sobre possibilidade de HU voltar à gestão municipal

 

Cotidianamente você costuma se deparar com críticas e denúncias relacionadas ao Hospital Universitário em Petrolina, sertão do Estado. São queixas relacionadas ao atendimento, falta de leitos, demora na realização de cirurgias, dentre outras. Em entrevista ao nosso Blog, nesta terça (24), o reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Julianeli Tolentino, não se esquivou de falar sobre o assunto. Disse que a transferência da gestão da unidade de saúde do município para a seara Federal se fazia necessário e que, apesar dos desafios, há indicadores importantes que devem ser destacados. Julianeli enfatizou achar que o processo “é praticamente irreversível”, numa resposta aos que defendem o retorno do Hospital para a gestão do município.

“Eu sempre tenho colocado que nós temos desafios. Temos ainda um longo caminho a percorrer para que possamos dar um atendimento ideal, mas até que provem o contrário, é um processo irreversível. O município tem outro foco, sem contar que serviços de média e alta complexidade são de incumbência dos governos estadual e federal”, pontuou.

O reitor enfatizou que as críticas e sugestões são benvindas e devem fazer parte de um diálogo entre a instituição e a sociedade através de suas diversas representações, no entanto, ele sugere que é importante conhecer a realidade para depois formar um juízo acerca do assunto. “A reclamação faz parte de um processo, é legítima. Recebemos vereadores, deputados, secretários de Saúde municipais, porque temos que estabelecer esse canal de comunicação e debate. Agora, eu observo muitas reclamações irracionais, que surgem no calor de debates e se transformam em provocações não condizentes com a realidade”.

Julianeli destacou a aquisição de tomógrafo para a UTI, compra de macas e também de poltronas para os acompanhantes. “Também estamos com o parque tecnológico renovado, em um investimento de R$ 2 milhões. O data center acompanha o paciente da hora em que ele entra até o momento em que recebe alta. O próprio Ministério da Saúde tem como monitorar isso”.

Sobre a dificuldade em contratar alguns profissionais da área médica, o reitor adiantou que todos os esforços estão sendo direcionados no sentido de resolver esse problema. Ele adiantou que muitos municípios que têm acesso aos serviços dos HU já estão encaminhando profissionais para a unidade de saúde, o que permite disponibilizar uma escala fechada. “Esse é um grande desafio, sem dúvida. Mesmo a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) realizando concursos – e até agora já foram contratadas mais de 500 profissionais, ainda há dificuldades de preenchermos algumas especialidades, a exemplo de Ortopedia. Quando a gente não fecha uma escala, consequentemente alguns atendimentos são comprometidos, a fila vai aumentando e as reclamações surgem. Sem contar que, além de abrangermos vários municípios, ainda temos que levar em consideração o alto índice de acidentes que ocorrem na região, sobretudo com motos, o que sobrecarrega mais ainda”.

Segundo Julianeli, trazer o hospital para o patrimônio Federal era imprescindível para a formação dos estudantes da área de saúde e, principalmente, formação de novos médicos. Após todos os trâmites legais, a gestão da unidade de saúde fica com a EBSERH. “A gente sabia que ia ter desafios. Mas decidimos seguir em frente. Todos os esforços serão direcionados para melhorar cada vez mais a estrutura física, o atendimento ao paciente, a ampliação do quadro de técnicos e profissionais. A meta é atender a população da melhor forma possível”.

Policlínica – Durante a entrevista, Julianeli Tolentino falou sobre a expectativa de, em 2017, ver funcionando a policlínica, na área central da cidade. A obra, que deveria ter sido finalizada em 2010, foi retomada e a previsão é de que até o fim do ano esteja concluída. “O projeto foi refeito, foi direcionado um aporte de R$ 5 milhões e nosso objetivo é de que este empreendimento venha a diminuir o fluxo no HU”.

 Julianeli destacou a aquisição de tomógrafo para a UTI, compra de macas e também de poltronas para os acompanhantes/Foto:Blog

Julianeli destacou a aquisição de tomógrafo para a UTI, compra de macas e também de poltronas para os acompanhantes/Foto:Blog

 

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