“Consideramos justa toda forma de amor”

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Parafraseando a música de Lulu Santos, considero justa toda forma de crença. Seja você budista, candomblecista, católico, hindú, evangélico, espírita ou porque não, apenas não crer. Somos únicos, somos um povo de muitas origens étnicas e com elas, nossos antepassados trouxeram a maneira de crer em entidades que os faziam ter uma ligação com alguém/algo/divindade superior.

Religioso, crente, praticante, simpatizante… Seja qual for sua ideologia religiosa, devemos lembrar que nenhuma religião é superior, é a mais certa ou a mais perfeita. Todas são praticadas e conduzidas por homens, por pessoas que erram e são falhas. Antes de apontar a religião do outro, olhe para sua e perceba: nenhuma é isenta de erros. Procure entender e estudar a do outro, o que cada um de nós busca, é um conforto e explicação. O que cada uma delas realmente quer é sejamos pessoas melhores para os “nossos irmãos” e nossa sociedade.

Esse é um tema que bastante me toca. Ao entrar em contato com diversas pessoas para que pudéssemos realizar essa “série” hoje, fui indagada, “E o seu, não vai escrever?”. Parei e pensei… “Por que não?”. Ainda estou no caminho do meu encontro pessoal com Deus. Ainda tenho muito a trilhar, mas tenho a certeza que dos mistérios dele, eu pouco sei.

Como já citei em outro texto, nasci em uma família católica tradicional, daquelas que se alguém frequentasse uma igreja evangélica, ou o que fosse,  já seria rechaçado e criticado veemente. Sei todos os ritos, rezas, terços, cantos, dias santos e o que mais você imaginar [aliás, ontem foi dia de Nossa Senhora Auxiliadora, a quem sou muito devota]. Mas, como disse a minha mãe esses dias… Sempre frequentei porque tinha que frequentar, mas nunca senti que lá era meu lugar.

Quando a gente começa a ter discernimento intelectual, percebe que há coisas em cada doutrina que não se aplica a sua personalidade ou modo de pensar.  Vi e entendi que os posicionamentos do catolicismo perante a tantos assuntos, que mesmo pequena, entendia que estavam equivocados, me fizeram afastar-me ideologicamente dela, bem como o conhecimento do passado. Todas têm os seus pecados. Dessa maneira, nunca tive vontade de ir a templos evangélicos… Em suma, as características se repetem. Nada contra, apenas não é para mim.

A minha rebeldia religiosa começou lá pelos 12 anos… “Frequentei” semanalmente as missas até os 21 anos, quando a essa idade, digamos que, minha amada mãe desistiu de me fazer católica. Rs… Minha curiosidade para conhecer outras doutrinas era imensa. Principalmente as que a minha de “berço” afirmava serem tão erradas. Mas a coragem para começar a descobrir o meu caminho, só veio há mais ou menos dois anos  e até hoje, minha vida religiosa é um sigilo entre meus familiares. Espiritualidade é um a caminho ímpar e de descobrimento pessoal.

Me despi de todos os meus pré-conceitos e fui descobrir por mim mesma. Através de amigos, conheci o espiritismo. Comecei a me surpreender daí, pois não era nada da maneira que pintavam ou afirmavam. Rolou aquela identificação ideológica do que sempre preguei: “praticai o bem”. Com o tempo, as ocupações, o trabalho, acabei me afastando um pouquinho. Mas aqui, deixo a minha admiração.

Pelas curvas do destino, fui parar em um terreiro. Mundo novo e estranho para mim, mais ainda que a antiga experiência. Cheguei mais leiga ainda. Se o espiritismo sempre me foi pregado como coisa do “demônio”, calcule ai, uma religião de matriz africana? Mais eis que o conhecimento e a minhas próprias conclusões me proporcionaram deliciosas surpresas. A umbanda me mostrou que não era nada do que implantaram no meu imaginário. Com muito respeito, fui ler, tirar dúvidas, perguntar e entender o significado de cada coisa e eis, que ali também encontrei mais um caminho que pregava a bondade.

Tudo aquilo que me foi “endemonizado” tem um significado e deve ser profundamente respeitado. Hoje, me considero muito mais rica espiritualmente e intelectualmente por compreender o outro.

Depois de todo o meu relato, talvez você ache que eu seja “macumbeira” ou louca. Mas a verdade, é que não tenho religião. Acredito em todas. Vi que em todas ela pude obter meu crescimento pessoal e não quero parar por ai. Há tanto para se conhecer e viver, não é mesmo? A única certeza que eu tenho, é que o respeito é o caminho para que todos nós possamos conviver bem.

Quando perguntei a minha mãe, católica convicta, se gostaria de conhecer o espiritismo, ela simplesmente me respondeu “Não. Estou muito bem com minha religião, não quero confundir minha cabeça”. Pois bem, minha mainha. Eu te respeito e te entendo. Cada um tem seu caminho, não é mesmo? E é assim que pretendo viver… respeitando. O meu caminho não é e nem gostaria que fosse igual ao seu, querido leitor. Que graça teria se já soubéssemos de tudo das nossas vidas? “Vamos viver tudo que há para viver, vamos nos permitir”.

Que nesse dia 25 de maio, Dia da Liberdade de Culto, sejamos mais pacientes e coloquemos em prática o que todas dizem em suma “fazei o bem sem olhar a quem” ou seja, não agrida, discrimine ou ofenda o outro que é diferente de você. A “salvação” é individual, amiguinho.  Faça o que seu deus essencialmente pede. Seja o bem.

“Que o Deus que habita em mim, também faça morada em você”

Giomara Damasceno

Jornalista, 20 pouco anos e com sede de aprender.

 

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