Dia Mundial da Água: Pernambuco tem 52 dos 184 municípios com condições de abastecimento satisfatório

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O dia 22 de março é marcado anualmente como o Dia Mundial da Água, data destinada principalmente a discutir os temas relacionados a esse bem indispensável à vida na Terra.

A água foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, como patrimônio do planeta, sendo dever de todos preservá-la. Desde então, com o objetivo de estimular a discussão sobre esse importante bem natural, em 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água.

Em 2010, o direito à água potável e ao saneamento básico passou a ser considerado pela ONU um direito humano essencial e indispensável à garantia de todos os outros direitos.

Em Pernambuco, que tem 90,68% de seu território suscetível à desertificação, a efetivação desse direito enfrenta desafios históricos. De acordo com o Atlas Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA), apenas 52 dos 184 municípios pernambucanos apresentam condições de abastecimento satisfatórias para atendimento das demandas futuras. O relatório cita como mais grave a situação nas regiões do Agreste e Sertão do Moxotó.

Entre 2012 e 2014, o Semiárido brasileiro enfrentou as piores secas dos últimos 50 anos. Em contraste, no Estado, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, gerido pelo Ministério das Cidades, a perda média de água no trajeto entre os reservatórios e a torneira da população foi de 52% em 2014. O índice superou a média nacional (36,67%). Para se ter uma ideia, no Japão esse percentual não ultrapassa os 6%.

Para a professora Josiclêda Galvíncio, do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o uso irracional dos recursos hídricos pela agricultura irrigada continua sendo o principal obstáculo para a conservação da água no Estado. Vale destacar que a agricultura, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), utiliza 69% da água potável existente no mundo. Entretanto, o cultivo por meio de irrigação necessita de duas vezes mais água que o tradicional.

Sobre a conservação dos mananciais, Josiclêda aponta que um dos maiores problemas em Pernambuco é a falta de investimento em novas alternativas de disponibilidade de água. Segundo ela, existem no mundo exemplos de lugares com oferta menor desse bem natural, onde a convivência com a escassez hídrica se dá sem sofrimento, prejuízos econômicos e sociais. A diferença, aponta, são os investimentos feitos para tornar real a disponibilização do produto para a população.

“Pouco se fez no Agreste e Sertão de Pernambuco para aumentar a oferta de água para os diversos fins, e a demanda só tem aumentado”, ressalta a professora, que também considera insuficiente a fiscalização do uso dos recursos hídricos no Estado.

Gestor do Programa Semiárido Caatinga e Combate à Desertificação da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas/PE), Sérgio Mendonça diz que a criação de unidades de conservação e a capacitação de professores e agricultores têm sido eixos para minimizar a degradação ambiental e seus efeitos na região, que abrange cerca de 80% do território de Pernambuco. “Os ganhos socioambientais advindos com o projeto são significativos e alcançam diferentes áreas, pois as ações são integradas”, relata.

POLUIÇÃO – Outro problema é a contaminação de mananciais. Na Região Metropolitana do Recife (RMR), o lançamento de esgoto sem tratamento nos Rios Capibaribe e Beberibe é o fator mais preocupante. Já o Plano Estratégico de Recursos Hídricos e Saneamento do Estado, de 2008, também aponta os impactos causados pelos Polos de Desenvolvimento nos sistemas de abastecimento urbano. Entre eles, a presença de produtos químicos em Suape (RMR) e nos polos de irrigação de Petrolina e gesseiro do Araripe.

Diretora-presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), Simone Souza acredita que uma Parceria Público-Privada (PPP) feita pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) pode ajudar a mudar a realidade. A intenção é elevar o índice de cobertura de 30% para 90% das residências com saneamento básico na RMR. “A prioridade de atuação tem que ser o saneamento”, frisa.

A gestora cita também o problema da poluição dos rios por lavanderias e indústrias de jeans de Toritama, no Agreste. Em 2015, a CPRH emitiu 657 autos de infrações ambientais (nem todos relacionados ao uso da água).

Diretor-presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), Marcelo Asfora afirma que há estudos contratados para identificar os principais degradadores dos reservatórios e a exploração dos aquíferos subterrâneos. “Queremos saber como vai se comportar a qualidade da água em razão das condições de operação, identificar as fontes de degradação e fazer prognósticos”, explica

Com informações de Alepe

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