“É da natureza das charges”, diz DCE da Univasf sobre cartaz repudiado por associação policial

Nessa quarta-feira (24), o Diretório Central dos Estudantes da Univasf (DCE) respondeu a nota de repúdio da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus familiares do Estado da Bahia (ASPRA), que criticou o cartaz de um evento promovido pelo Diretório, União Nacional dos Estudantes (UNE) e a organização Tempo de Mudar.

De acordo com o DCE, “há policiais que trabalham diuturnamente dentro dos marcos constitucionais, sem brutalidade, conforme a formação recebida nas Academias. E há aqueles que extrapolam, fazendo de sua autoridade um instrumento para abusos e brutalidades. É sobre este segundo grupo de que a charge trata”.

LEIA TAMBÉM

Associação de Policiais da Bahia repudia cartaz de DCE da Univasf e UNE

A imagem, que foi divulgada em redes sociais do DCE da Univasf, faz publicidade sobre uma roda de conversa com o título: “Democracia na berlinda: A ofensiva fascista no Brasil” e mostra uma pessoa vestida com as cores da bandeira do Brasil caída no chão algemada e um policial fardado com uma arma em punho, como se acabasse de realizar um disparo.

No documento, o DCE afirma ainda que “se coloca à disposição das autoridades e entidades policiais democráticas para desenvolver um diálogo acerca da polícia que temos e da polícia que precisamos”.

Confira a íntegra da resposta

“O Diretório Central dos Estudantes da Univasf vem a público manifestar suas convicções na democracia, no Estado de Direito e no diálogo. 

A charge é uma manifestação artística, crítica e reflexiva. É da natureza das charges.

Em geral a atividade foi positivamente saudada pela população da região, mas há muito que refletir dadas algumas repercussões sobre o cartaz do evento deste 24 de outubro de 2018, promovido por este Diretório estudantil.

O autor, Latuff, é conhecido nacional e internacionalmente pela sua obra de denúncia de situações de opressão e injustiças.

Há policiais que trabalham diuturnamente dentro dos marcos constitucionais, sem brutalidade, conforme a formação recebida nas Academias.

E há aqueles que extrapolam, fazendo de sua autoridade um instrumento para abusos e brutalidades. É sobre este segundo grupo de que a charge trata. É esta segunda conduta que repudiamos. É esta realidade que os Comandos das Polícias – todas elas – costumam publicamente condenar, justamente por conta de tais condutas comprometerem a imagem da corporação, o Estado democrático de Direito e abrir brechas para o terror. Terror e medo que podem anteceder a disseminação de falas ou atos fascistas.

Temos todos, sim, que ficar bastante preocupados com propostas de armamento generalizado da população. Este tipo de medida caso adotado colocará a vida de todos e inclusive dos policiais em risco ainda maior, muito ao invés de diminuir a violência.

No lugar da criminalização ou judicialização do cartaz e do evento, este Diretório Central dos Estudantes se coloca à disposição das autoridades e entidades policiais democráticas para desenvolver um diálogo acerca da polícia que temos e da polícia que precisamos.

Redução da letalidade, combate ao abuso de autoridade e aos desvios de função, melhores condições de trabalho e remuneração, entre outros, que devem ser pontos para uma pauta comum. Pensamos que o combate aos excessos e à brutalidade policial também são de interesse das entidades representativas dos policiais e da sociedade como um todo.

Discutir a realidade apresentada pelo citado Fórum Brasileiro de Segurança Pública pode ser o ponto de partida para o debate em um outro momento.

Mundialmente, a polícia que menos mata é a polícia que menos morre. Este deve ser nosso horizonte. Um pacto pela vida real e concreto.

Não será em um ambiente fascista que os direitos dos cidadãos e dos policiais serão resguardados. Será num regime democrático.

Deixe uma resposta