Líder do governo no senado defende isolamento social, mas diz que crise vai exigir medidas amargas

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro busca apoio do Supremo Tribunal Federal (STF) para relaxar as medidas de restrição para conter o avanço do coronavírus, o líder do governo no Senado defende as ações implementadas por estados e municípios na tentativa de diminuir o número de contaminação e de mortes.

Nesta sexta-feira (8), o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) defendeu o isolamento social para conter o avanço do coronavírus no país, mas ponderou que medidas de flexibilização, como a reabertura gradual do comércio a partir de junho, devem ser discutidas. O assunto deve ser debatido pelo Senado em audiência com os governadores.

“Acredito que o isolamento foi uma medida importante de ser adotada e que deverá permanecer válida até o final do maio. Mas é importante a gente já discutir medidas de flexibilização a partir de junho. E não será de uma vez, mas identificando as atividades que poderão ser retomadas no primeiro momento e a reabertura gradual das atividades de comércio”, avaliou o líder.

Fernando Bezerra Coelho afirmou que a crise causada pela pandemia do coronavírus vai exigir a adoção de “medidas amargas” para reanimar a economia brasileira. Segundo ele, não haverá, por exemplo, espaço fiscal para reajuste de salários de servidores públicos. Além disso, governo e Congresso Nacional deverão construir uma agenda comum para superar a crise.

“O governo iniciou um processo de diálogo com as forças políticas que compõem o Congresso Nacional. Fez isso porque está convencido de que o segundo desdobramento mais grave da pandemia vai ser a crise econômica e social, fruto do desemprego e da retração das atividades produtivas. Para isso, vai ser preciso adotar medidas amargas e duras para reanimar a economia brasileira”, disse o líder durante entrevista a emissoras de rádio de Pernambuco.

Ele acrescentou que a retração da economia brasileira fará com que o governo federal, estados e municípios sejam firmes no controle das despesas públicas. “O auxílio do governo federal não será suficiente para repor todas as perdas, e não vejo nenhum espaço fiscal para qualquer tipo de reajuste salarial”, explicou.

“Os gestores públicos precisarão ter responsabilidade do ponto de vista de segurar as despesas, porque, no meio dessa crise, o governo está se endividando cada vez mais para não faltar o mínimo para os brasileiros. Precisamos ter cuidado para que a gente não perca as conquistas, como inflação baixa e taxa de juros baixas, para que o Brasil possa ter as condições de retomar o crescimento o mais rapidamente possível,” concluiu.

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