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Mãe de estudante pernambucana morta na Nicarágua lamenta demora do traslado do corpo

(Estudante pernambucana de medicina Raynéia Gabrielle Lima, 31. (Foto: Reprodução/Facebook)

A espera pelo corpo da filha Raynéia Gabriella Lima, morta durante conflitos políticos na Nicarágua na última segunda-feira (23), tem sido uma tortura para a pernambucana Maria Costa. Ela informou que o corpo da filha já está em processo de embalsamamento para que só então as autoridades brasileiras em Nicarágua iniciem o traslado.

“Eu pensei que a dor maior tinha sido quando recebi a notícia. Mas, cada dia que passa, parece que ela vai aumentando, essa demora todinha para o corpo chegar aqui e ter finalmente o descanso eterno”, falou Maria, mãe da universitária e que mora em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Mãe e filha não se viam há quatro anos, desde que a estudante havia se mudado para a Nicarágua. “Acho que só vai ser pior quando eu vir minha filha pela última vez, para enterrá-la.” 

O secretário de Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eruico, disse que já foram feitos todos os encaminhamentos e está aguardando que o Ministério das Relações Exteriores confirme o dia e a hora do traslado. “Só quem pode receber o corpo são os pais, então eu espero que eu seja a primeira pessoa a receber a informação. Essa espera é angustiante. Cada dia que passa, eu fico mais desesperada, por causa da demora”, lamenta Maria, que explica estar tentando seguir com a vida como pode. “Desde que recebi a notícia da morte da minha filha, não consigo dormir, não consigo comer. Meu corpo já estava chegando no limite. Só hoje [nesta sexta] que eu fui orar, pedir a Deus por conforto, e então consegui dormir um pouco. Duas, três horas. Mas também acordei chorando.”

Pedro Eurico disse que a mãe de Raynéia está sendo acompanhada por uma equipe de saúde do governo. “Eu recebi a visita de uma assistente social, de uma psicóloga e de um advogado do Estado. Mas pedi que esse suporte fosse dado depois, quando o corpo chegasse, que eu acho que é quando eu vou mais precisar”, explicou Maria Costa. “Não é brincadeira saber que a sua única filha foi morta, sem motivação. Ela não se envolvia nessas coisas de protesto. Por enquanto, estou tentando seguir da forma que posso.”

O corpo de Raynéia será levado de Manágua para o Panamá em um voo com duração aproximada de 40 minutos. Depois, seguirá para o Brasil pela Companhia Aérea Copa Airlines, com viagem prevista para durar 6h30, quando desembarcará no Recife. Todas essas despesas estão sendo bancadas pelo Governo do Estado. O sepultamento está planejado para acontecer no cemitério Morada da Paz, em Paulista, em um túmulo cedido pela família do ex-marido de Raynéia.

Entenda o caso
Raynéia foi baleada por volta das 23h da última segunda quando voltava para casa, na cidade de Manágua. Ela estava sozinha no carro, mas o namorado vinha no veículo de trás. Atingida com um tiro de grosso calibre no peito, foi levada pelo namorado ao Hospital Militar, morrendo duas horas mais tarde. O carro teria recebido vários disparos. de metralhadora

Manágua enfrenta uma onda de protestos desde abril, com toque de recolher informal após as 19h, em meio a vários relatos de pessoas assassinadas ou sequestradas por policiais e paramilitares do regime do presidente Daniel Ortega. O governo respondeu com violência aos manifestantes e ao menos 360 pessoas já foram mortas, a maior parte civis.

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