Morre em Salvador o sambista Riachão

(Foto: Internet)

Morreu de causas naturais em Salvador, na madrugada desta segunda-feira (30), Clementino Rodrigues, o sambista Riachão. Ele tinha 98 anos.

Segundo a família, o sambista sentiu dores no abdômen no domingo (29) e precisou de atendimento médico. Ele foi medicado e depois dormiu. A morte de Riachão só foi descoberta pela manhã, quando os familiares foram ver como ele estava.

“Ele sentiu uma dor. Então, ele foi medicado e sentiu alívio, uma estabilizada. Ele então foi dormir. Eu estava presente. Quando foi [nesta] madrugada, ele veio a falecer. Faleceu dormindo”, disse Milton Gonçalves Souza Júnior, neto do sambista.

Ainda de acordo com a família, a previsão é que o enterro ocorra no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador, ainda nesta segunda. O velório será acompanhado apenas pela família por causa de decretos que proíbem aglomeração de pessoas como medida ao novo coronavírus.

Riachão

Nascido no bairro do Garcia, na capital baiana, em 14 de novembro de 1921, Clementino Rodrigues era o caçula de uma família de 16 filhos.

Ainda na infância assumiu uma nova identidade, que levaria pelo resto da vida. Aos nove anos, o filho da lavadeira e do carroceiro já fazia som batucando nas latas que usava para buscar água.
Riachão, que se tornou um dos mais importantes sambistas do país, compôs a primeira canção aos 12 anos. O que começou como improviso, o levou até um estúdio de gravação, no Rio de Janeiro, em plena era de ouro do rádio, nos anos 1950.

Um dos seus maiores sucessos “Cada Macaco no seu Galho”, nasceu de um golpe que levou quando tentou montar um negócio no Garcia. A canção, que é uma das mais famosas do músico, foi lançada em 1972 nas vozes de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Além disso, Riachão é compositor de sambas como “Vá morar com o diabo”, apresentado em disco em 2000, em dueto dele com Caetano, mas popularizado no ano seguinte com a gravação feita pela cantora Cássia Eller (1962 – 2001) para o álbum e DVD ao vivo da série Acústico MTV.
Lenço no pescoço, anéis, chapéu de feltro, um lenço no bolso e a inseparável toalhinha: Riachão é uma figura marcante no imaginário de Salvador.

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