Novo ministro da Fazenda agrada mercado e ‘entende como Brasília funciona’

Ex-presidente do Banco Central e "fiador" do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Meirelles agora ingressa no primeiro escalão do governo de Michel Temer (PMDB)/Foto:Pedro Ladeira

Ex-presidente do Banco Central e “fiador” do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Meirelles agora ingressa no primeiro escalão do governo de Michel Temer (PMDB)/Foto:Pedro Ladeira

Meio técnico, meio político. Na visão do mercado, o novo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, combina duas condições vistas como essenciais para enfrentar os desafios atuais da economia brasileira: preparo técnico e habilidade política.

Ex-presidente do Banco Central e “fiador” do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Meirelles agora ingressa no primeiro escalão do governo de Michel Temer (PMDB).

Meirelles “entende como Brasília funciona”, disse Edwin Gutierrez, chefe da área de dívida de países emergentes da gestora de recursos Aberdeen em Londres, em entrevista à agência de notícias Bloomberg. Segundo o especialista, a falta de habilidade política foi uma das razões do insucesso do ex-ministro Joaquim Levy.

No setor corporativo, foi presidente global do FleetBoston Financial e presidente mundial do BankBoston por quase cinco anos, além de ter presidido o banco no Brasil por mais de uma década.

Também é presidente do Conselho da J&F Investimentos, controladora da JBS (dona das marcas Friboi e Seara), Vigor e Havaianas.

Deputado eleito e ‘fiador’ de Lula

Na política, Meirelles foi eleito pelo PSDB como o deputado federal mais votado de Goiás em 2002, com 183 mil votos.

No entanto, renunciou ao cargo antes mesmo de tomar posse e desfiliou-se de seu partido para assumir a presidência do Banco Central no governo Lula, também eleito naquele ano.

Apesar de ser do partido derrotado nas eleições presidenciais em 2002, Meirelles tinha bom trânsito pelo PT.

Sua nomeação veio na tentativa de acalmar o mercado, que tinha dúvidas sobre o rumo da economia após a chegada de Lula ao poder.

8 anos no BC: inflação controlada, dólar e juros em queda

Meirelles comandou o BC durante oito anos, de 2003 a 2010. Nesse período, manteve a inflação dentro da meta, reduzindo o índice de preços de 12,53% ao ano, no fim de 2002, para 5,91%, em 2010, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

A economia, nesse período, cresceu perto da média dos países emergentes. Em seu último ano à frente do BC, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro subiu 7,5%, após uma queda de 0,1% em 2009, quando o mundo estava sob os efeitos da crise do setor imobiliários dos EUA.

Com Meirelles, o dólar caiu 54%, de R$ 3,54 para R$ 1,66. O menor valor alcançado pela moeda norte-americana no período foi R$ 1,56, com o mercado otimista pelo fato de o então presidente Lula ter mantido a política econômica herdada de FHC, e também graças ao cenário externo, que era mais positivo.

Quando assumiu o BC, a taxa básica de juros (Selic) estava em 25% ao ano; chegou a atingir o pico de 26,5%, depois cair a 8,75%, até terminar o mandato em 10,75%.

Meirelles foi substituído por Alexandre Tombini em janeiro de 2011, quando a equipe de Dilma Rousseff (PT) tomou posse.

Com informações do Portal Uol

 

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