Outubro rosa: Associação Brasileira de Nutrologia esclarece mitos e verdades sobre alimentação e câncer de mama

(Foto: Ilustração)

A disseminação de informações falsas pelas redes sociais, conhecidas pelo termo em inglês fake news, está diretamente ligada ao alarmismo e à falta de credibilidade no jornalismo. Muitas vezes, a oferta de conteúdo sobre saúde e os canais são tantos que a população fica à mercê de boatos e desinformação.

Os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) demonstram que o câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, correspondendo a 25% e 29% dos casos novos a cada ano respectivamente.

O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença. Pensando nisso e na importância da prevenção, a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) esclarece as dúvidas mais frequentes que chegam aos consultórios dos médicos nutrólogos associados. Quem responde as indagações é o presidente da ABRAN, Dr. Durval Ribas Filho, esclarecendo as questões com evidências científicas. O especialista também reitera que, em ciência, é necessário avaliar com precisão os estudos, as metodologias empregadas para não incorrer em análises superficiais.

“Os fatores comportamentais e ambientais relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença incluem: ingestão de bebida alcoólica em excesso, sobrepeso e obesidade na pós-menopausa, e exposição à radiação ionizante. O tabagismo, fator estudado ao longo dos anos com resultados contraditórios, é atualmente reconhecido pela International Agency for Research on Cancer (IARC) como agente carcinogênico com limitada evidência de aumento do risco de câncer de mama em humanos”, explica.

Há relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e aumento do risco de câncer de mama?

Sim, há uma relação. Segundo a pesquisa francesa Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort que classificou os alimentos em quatro grandes grupos: desde minimamente processados (como frutas e vegetais) até muito processados (que possuem alto grau de conservantes). O experimento acompanhou mais de 100 mil participantes, cuja idade média era de 42 anos, de 2009 a 2017, e teve como resultado que a ingestão desse tipo de alimento se associou com o aumento global, em 12%, do risco do câncer de mama. Enfatizando a necessidade de mais pesquisas sobre uma possível associação entre alimentos altamente processados e o risco de câncer de mama, os cientistas observaram que, nesta fase, não há conclusões exatas sobre causa e efeito e sim, relações que podem significar um aumento do risco.

A maior parte das mulheres que têm câncer de mama e já têm histórico familiar aumentam os riscos de desenvolver a doença com a má alimentação?

Não necessariamente. Segundo Ribas, 95% das mulheres com a doença não têm fator genético, mas as células passam por mutação no decorrer da vida. Entretanto, ele destaca que aquelas com histórico familiar devem realizar o acompanhamento porque o câncer pode aparecer mais cedo antes dos 40 anos. O câncer de mama de caráter hereditário corresponde, por sua vez, a apenas 5% a 10% do total de casos, de acordo com os dados da publicação científica Cancer Epidemiology, da Universidade de Oxford. Sim, a má alimentação influencia o desenvolvimento do câncer. Além disso, ingerir alimentos de boa qualidade tem papel fundamental na prevenção do tumor. Tente, aos poucos, incluí-lo em sua dieta. Pode fazer diferença no futuro.

Consumo de batata frita aumenta o risco de câncer de mama?

Os estudos que sugerem essa relação ainda são inconsistentes. A hipótese levantada é que aquelas batatinhas crocantes que parecem perfeitas podem não ser tão perfeitas. De acordo com um estudo da Food Standards Agency (FSA) do Reino Unido, a culpada é a acrilamida, uma substância química resultante do cozimento dos alimentos ricos em amido em altas temperaturas.

Embora um nítido escurecimento da batata possa parecer “natural” ao cozinhar amidos, esse estudo ressalta que isso pode aumentar o risco de câncer e possivelmente afetar os sistemas nervoso, reprodutivo e as mamas. Os amidos queimados teriam maiores quantidades de toxina. Entretanto, a literatura não aponta conclusões definitivas sobre o assunto. Como prevenção ao consumo excessivo de acrilamida, a FSA recomenda cozinhar amidos até o ponto de ficarem dourados e não marrons.

Consumo de vinho aumenta risco de câncer de mama?

Há uma pesquisa que sugere essa relação, mas com metodologia contestável. Nesse estudo a conclusão é que tomar apenas uma bebida alcoólica por dia poderia aumentar o risco de câncer de mama em 5% e o risco de câncer de orofaringe em 17%. De acordo com a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), esses números aumentam significativamente quanto mais você bebe. Estima-se que 6% das mortes por câncer em todo o mundo podem estar diretamente ligadas ao consumo de álcool. Então, você pode pular a próxima rodada se já consumiu bebida alcóolica em quantidade significativa. Vale a máxima ‘beba com moderação”.

Acompanhamento nutricional contribui com a eficácia do tratamento no câncer de mama?

Sim. A atuação do médico nutrólogo em parceria com a nutricionista na oncologia é extremamente importante, pois esses pacientes têm uma demanda metabólica aumentada, porém geralmente têm uma redução importante do apetite. Ou ainda, alteração do paladar, além de efeitos colaterais ao tratamento, como náuseas e vômitos, que contribuem para uma perda de peso acentuada.

A orientação do médico nutrólogo contribui para promover ganho de peso, recuperação do estado nutricional, que é fundamental para boa evolução do tratamento oncológico. Isso porque o gasto de energia diário de uma pessoa com câncer, pode chegar a 150% do usual, segundo pesquisas.

Obesidade aumenta o risco de câncer de mama?

Sim. A ligação entre obesidade e risco de câncer é clara. Pesquisas mostram que o excesso de gordura corporal aumenta o risco de vários tipos de câncer, incluindo câncer de mama. Dados de um experimento publicado no International Journal of Epidemiology, liderado pelos cientistas da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), indicam que o efeito do sobrepeso e obesidade no risco de câncer é pelo menos duas vezes maior do que anteriormente pensado.

Ingestão de peixes ajuda na prevenção da doença?

Sim. A literatura aponta que o consumo frequente (duas vezes por semana) de peixes que têm gordura insaturada como atum, salmão e sardinha contribui para evitar a doença. A sardinha também é rica em vitamina D, um proto-hormônio que pode interferir no crescimento do câncer.

Consumo de frutas atua na prevenção?

Sim. Além disso, o consumo de frutas contribui para a prevenção na medida em que fornece menos calorias, mais fibras e auxilia na manutenção de peso saudável. A recomendação da Sociedade Americana de Câncer é consumir cinco porções de frutas por dia.

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