Pautas voltam a gerar tensão entre poderes

(Foto: Reynaldo Stavale)

Na semana em que o Senado Federal realiza a terceira das cinco sessões de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do foro privilegiado, antes da votação da proposta no plenário, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa poderá pautar o projeto de abuso de autoridade.

A proposta idealizada pelo senador Renan Calheiros (PMDB), que abrange os crimes de abuso cometidos por servidores públicos e membros do Ministério Público, havia sido apresentada no final do ano passado. Mas, em função da forte reação dos integrantes do Judiciário, a matéria foi enviada para a CCJ.

De acordo com o relator do projeto de abuso de autoridade, Roberto Requião (PMDB-PR), a matéria lista uma série de práticas “abusivas”, entre elas, por exemplo, decretar a condução coercitiva de testemunha ou de investigado sem prévia intimação de comparecimento ao juízo, sob pena de prisão de 1 a 4 anos, e multa.

A proposta prevê, ainda, a punição, com prisão de 6 meses a 2 anos e multa, a quem “impedir sem justa causa a entrevista do preso com seu advogado” ou àquele que “requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime”.

No ano passado, a medida gerou forte atrito entre Renan Calheiros, que era presidente do Senado, e a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Na época, ela chegou a dizer que “juiz sem independência é carimbador de despachos” e que havia tentativas de “criminalizar o Judiciário”, sendo juízes alvo de ataques e cerceamento.

A proposta também foi criticada por entidades do setor ligadas ao Ministério Público e Judiciário, que acreditam que o projeto é uma ameaça as investigações da Operação Lava Jato.Coincidência ou não, a retomada das discussões em torno do tema acontece em paralelo ao debate sobre o fim do foro privilegiado.

O plenário do Senado iniciará nesta terça-feira (28) os diálogos sobre a PEC com autoridades. O autor desta proposta, Randolfe Rodrigues (Rede), chegou, inclusive, a apresentar requerimento solicitando que a matéria fosse pautada em regime de urgência e com calendário especial. O texto extingue o foro especial por prerrogativa de função em casos de crimes comuns.

O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que o regimento interno não permite urgência para votação de PEC, mas que, diante de “um sentimento” do plenário a favor da discussão da matéria, irá pautar a proposta imediatamente.

“Acredito que até o fim de abril, no mais tardar começo de maio, votaremos a PEC em primeiro turno”, disse Randolfe. Depois que passar pela primeira votação, a matéria ainda terá que ser discutida em mais três sessões antes da apreciação em segundo turno. Se for aprovada, seguirá para a Câmara dos Deputados para ter o mesmo tipo de tramitação.

Fonte FolhaPE

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