Petrolina e Caruaru vão ganhar delegacias de combate à corrupção

Alepe recebe projeto de lei do Executivo que cria mais duas Delegacias de Combate à corrupção (DECCOR), em Caruaru e Petrolina.

Pernambuco deve ganhar, até o final deste ano, mais duas delegacias de combate à corrupção, vinculadas ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO). Esta semana, a Assembleia Legislativa deverá votar projeto de lei do Poder Executivo Estadual que cria duas novas unidades: uma em Caruaru, cobrindo o Agreste, e outra em Petrolina, com abrangência para o Sertão. O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antonio de Pádua, acompanhado do chefe da Polícia Civil, delegado Joselito Kehrle, apresentou o projeto aos deputados estaduais nesta segunda-feira (30/09).

Na prática, a 3ª e a 4ª DECCOR vão levar aos municípios do Agreste e do Sertão ações estratégicas e operações da Polícia Civil de Pernambuco que visam a prevenir e reprimir a corrupção, o desvio de recursos públicos e outros crimes correlatos. “Pernambuco terá, com essas novas estruturas, investigações especializadas e combate aos crimes de colarinho branco em todo o seu território. Além de reprimir as ações, identificar prejuízos, recuperar ativos e desbaratar quadrilhas que se infiltram na administração pública para obter vantagens ou enriquecer de forma ilícita. Afinal, policiais compromissados e capacitados, com suporte de núcleos de inteligência, apoio do laboratório de lavagem de dinheiro e integrados a outros órgãos de fiscalização estarão mais perto e vigilantes”, diz o secretário Defesa Social, Antonio de Pádua.

Mesmo antes da implantação das delegacias do Interior, o DRACCO já vem desarticulando quadrilhas que atuam fora da Região Metropolitana do Recife. Uma das operações mais recentes cumpriu cinco mandados de prisão em Ibimirim, Sertão do Estado. A Operação Centenário prendeu suspeitos de integrarem organizações criminosas com foco de atuação nos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no município.

Implantado em dezembro de 2018, o DRACCO já se consolida como uma referência estadual e até mesmo nacional no combate às quadrilhas que se infiltram na administração pública, lesam o erário e usurpam os direitos do cidadão.

Em nove meses de atuação, o balanço do DRACCO contabiliza mais 300 prisões, identificação do montante de R$ 375 milhões em prejuízo para os cofres públicos, recuperação de R$ 50 milhões em ativos e 20 operações deflagradas, algumas dessas de grande repercussão. “Antes do DRACCO, a média era de duas operações contra a corrupção por ano e elas estavam concentradas na Capital e RMR”, contextualiza a diretora do DRACCO, delegada Sylvana Lellis.

2 Comentários

  • Roberto José

    1 de outubro de 2019 at 14:17

    Resta saber se essas delegacias terão ampla liberdade de investigar a corrupção onde quer que ela esteja, seja na esfera municipal e principalmente na estadual. Do contrário terão o mesmo destino da delegada Patrícia Domingos e da sua Delegacia de crimes contra a Administração e Serviços públicos – Decasp, cuja extinção está rodeada de estórias mal contadas sobre interferências indevidas de agentes governamentais em inquéritos em andamento, bem como no envolvimento de gente graúda no cometimento dos crimes objeto das investigações. Por tudo isso, a referida delegada tornou-se “persona non grata” do governo estadual, sofrendo todo o tipo de intimidação e censura. Acho difícil de acreditar que o governo do estado esteja de fato querendo combater a corrupção se se comporta de uma maneira totalmente incompatível com o discurso, como, por exemplo, no recente caso da transferência do delegado de Arcoverde, que prendeu o filho de uma vereadora da cidade por prática e participação em grupos de extermínio na região, e cuja mãe, supostamente teria solicitado ao governo estadual a saída da autoridade policial do município, o que foi de pronto atendida. É torcer pra que de fato tais delegacias sejam totalmente independentes.

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