Relatório do Ibama não indica contaminação do São Francisco por rejeitos de Brumadinho

Segundo Ibama, ainda não é possível saber quando lama de rejeitos atingirá bacia (Foto: Léo Boi)

A Fundação SOS Mata Atlântica havia informado na semana passada que o Rio São Francisco já está contaminado com rejeitos da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Entretanto, em um relatório divulgado na quarta-feira (27) o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou a contaminação.

O documento foi elaborado em parceria com o Instituto Federal de Florestas (IEF), tendo como base dados coletados pelo Instituto Mineiro de Águas (Igam), principal órgão monitorador do desastre ocorrido em 25 de janeiro.

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Segundo o Ibama, “até o momento, os dados oficiais de qualidade de água não indicam que os rejeitos atingiram o trecho do rio Paraopeba a jusante da UHE de Retiro baixo, portanto também não atingiram o reservatório da UHE de Três Marias e o rio São Francisco”.

Ao final do relatório o Ibama criticou indiretamente o relatório feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, alegando que o documento não se baseou em fontes confiáveis, porém reconheceu os danos causados pelo rompimento em especial a vida aquática na região.

Comitê cobra informações

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda voltou a cobrar melhor diálogo com as autoridades mineiras e nacionais a respeito da qualidade da água. “Todos sabem que o Paraopeba é um grande afluente do São Francisco. É preciso esclarecer em que grau de contaminação essa água chegará a Três Marias, bem como ter clareza nas informações. Na última reunião, o Igam reconheceu que as barreiras filtrantes, chamadas de cortinas, estavam sendo ineficazes e que tinha, inclusive, causado mortandade de peixes. A mineradora Vale precisa esclarecer a eficácia dessa medida”, disse.

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