Representante do MST fala sobre ação de reintegração de posse no Projeto Pontal

A desocupação do Projeto Pontal nessa semana ainda repercute em Petrolina. O representante do Movimento dos Sem Terra (MST) no Sertão, Florisvaldo Alves participou do programa Super Manhã na Rádio Jornal e relembrou a luta dos assentados nos acampamentos Dom Tomás e Democracia.

De acordo com Florisvaldo, a luta dos assentados no Pontal teve início em 2007, quando o local estava em estado de abandono. O MST iniciou um diálogo com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e foi descoberto a existência de PPP, Parceria Público Privada, porém ela não estava ativa. Foi então, segundo o representante, que o movimento optou pela ocupação com mais de duas mil pessoas em forma de protesto contra a PPP.

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Início dos acampamentos

“Iam entregar de mão beijada mais de 30 mil hectares a um único proprietário, aquilo [a PPP] seria um erro histórico. A Codevasf disse que precisava fazer a PPP e nós desocupamos a área. O Incra e a Codevasf garantiram conseguir terra e infraestrutura, mas nós nunca conseguimos”, explicou Florisvaldo.

Foi então que o MST construiu o Acampamento Dom Tomás, em 2014. Após dois anos, outro acampamento foi estabelecido, dessa vez o Democracia. Desde a segunda ocupação as negociações na Justiça Federal foram iniciadas, mas não evoluíram.

Negociações

“No dia 20 de março do ano passado nós tivemos uma reunião e foi feito um plano de ação. A Codevasf, o Incra e o MST ficaram com tarefas. O Incra deveria localizar áreas e nós falamos que sairíamos do Pontal se encontrassem uma área com condição. A Codevasf deveria cuidar da infraestrutura”, disse Florisvaldo.

Segundo o representante do MST, a área encontrada pelo Incra em Santa Maria da Boa Vista já está sendo alvo de uma reivindicação de agricultores do município. Em Petrolina, foram encontradas duas áreas, mas a Codevasf deveria fazer uma concessão de água, o que não aconteceu. “A Codevasf disse que seguiu uma orientação técnica e não autorizou”, afirmou.

Assentados criticam desocupação

A ação de terça-feira (9) foi executada pela Polícia Federal e contou com um forte aparato de segurança. Conforme publicado ontem no Blog, casas foram destruídas, assim como as plantações no Acampamento Democracia. Paulo Sérgio, outro integrante do movimento relatou a truculência na reintegração. “Jogaram gás lacrimogênio, as famílias ficaram presas lá, não podia entrar ninguém, só podia sair”, relembrou.

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