Exame toxicológico para motoristas gera polêmica

caminhão

Mal começou a ser aplicada, a lei que prevê o exame toxicológico para a renovação das carteiras de habilitação de motoristas de caminhões, ônibus e vans em todo território nacional já está envolta em polêmica. Desde ontem, de acordo com a Resolução 517 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os condutores que precisem renovar ou tirar a primeira habilitação nas categorias C, D e E devem apresentar o resultado negativo do teste para detecção de larga escala.

O exame pode identificar substâncias como cocaína, crack, álcool e maconha, além dos tradicionais “rebites”, drogas sintéticas utilizadas para diminuir a sensação de fadiga e aumentar a produtividade do condutor. Quem fizer uso até três meses antes da realização do teste, pode ter o resultado positivo.

O objetivo da resolução é evitar o uso das substâncias e os acidentes provocados pela prática. Mas as boas intenções esbarram numa logística ainda confusa para motoristas e empresários. Existem apenas seis laboratórios aptos a realizar os testes: três no Brasil e outros três no exterior. O exame custa, em média, R$ 320 e deve ser pago pelos próprios condutores.

“Somos favoráveis à realização dos testes, como forma de proteger ainda mais a vida do profissional. O que achamos é que a lei foi aplicada sem um devido período de testes e sem uma estrutura que garanta eficiência e rapidez na realização dos exames”, diz o vice-presidente da Federação das Empresas Transportadoras de Cargas do Nordeste (Fetracan), Nílson Gibson. A entidade calcula que existam, em Pernambuco, cerca de 22 mil veículos de empresas transportadoras e em torno de 14 mil autônomos. No Nordeste são 115 mil veículos cadastrados na Fetracan.

2 Comentários

  • Willian

    2 de junho de 2017 at 11:36

    Bom, em sua matéria você só pegou opiniões contrárias ao exame, o que é um tanto quanto tendencioso. No entanto, vamos levar em conta os números que o governo federal já tem, assim como os seus órgãos, como a própria Polícia Federal:
    – Durante o tempo de obrigatoriedade do exame, que já tem pouco mais de 1 ano, a queda no número de acidentes nas estradas federais foi de 26% (fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2017/01/exame-de-drogas-de-caminhoneiros-reduz-acidentes-nas-estradas-federais.html);
    – A janela de detecção do exame, que é de 90 dias, é ratificada por especialistas em psiquiatria e uso de psicoativos. O DENATRAN também é favorável ao exame e sustenta que a diminuição no número de acidentes já é visível;
    – A questão de continuar a fiscalizar os motoristas é importante. O governo federal deve investir em aparelhos como os bafômetros, mas que identifiquem usos de drogas. As fiscalizações também devem ser ampliadas.
    O exame é uma ótima medida pra reduzir os níveis de acidente. No entanto, deve ter seu custo transferido para as empresas, e não para os motoristas, afinal são elas que estão contratando. Essa crítica dos motoristas acho muito válida.
    Obs: Outras questões que não estão em pauta atualmente, mas que são muito importantes, são as extensas jornadas de trabalho, o cansaço e muitos outros problemas que acabam, entre vários outros motivos, forçando os caminhoneiros a usarem substâncias psicoativas ilícitas. Isso ocasiona o vício, já que o trabalho é contínuo e os prazos são curtos. Essa discussão deve se encaminhar para esse ponto, senão não teremos mudança total.

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