Sou Católico Apostólico Romano

Catholic Church Vatican

Venho de uma família ‘católica não praticante’, se dizem Católicos, porém nunca vão a Missa, nem participam das atividades da Igreja Católica Apostólica Romana, o que em minha opinião não existe tal termo, pois ou se é ou não se é Católico. Informo isso para esclarecer que não vim de uma criação com ‘base católica’, vim por ‘conversão’, onde até os 21 (vinte e um) anos de idade, não sabia nem que era Jesus Cristo, nem que tinha referência com o Natal, nem que era Filho de Deus, absolutamente nada, aos 21 anos comecei a ter contato com o Cristianismo por uma Igreja Protestante, participava dos cultos, fazia os estudos bíblicos, etc.

Aos 24 (vinte e quatro) anos de idade, eu participei de um “Acampamento NO LIMITE com Cristo” da Igreja Católica Apostólica Romana, onde me converti de coração ao Cristianismo, busquei fazer os passos da iniciação Cristã Católica, para aprender mais sobre o Catolicismo, fiz a Primeira Eucaristia, a Crisma, e me converti ao Catolicismo.

Com a minha conversão ao Catolicismo aprendi e passei a buscar não o perfeccionismo, mas a santidade, buscando ter uma vida íntegra, honesta e correta com a graça que recebo de Deus, não pela quantidade de orações que faço, nem de Missa que frequento, mas usando os instrumentos que o Senhor me dá, a oração, a Sua Palavra, para ser melhor do que eu mesmo, para que as pessoas que conhecem a minha vida vejam por meio dela a graça de Deus, buscando praticar as virtudes evangélicas da honestidade e bondade, buscando ser uma pessoa boa e, de fato, virtuosa, em uma luta interior de mudar os meus hábitos e minhas atitudes, pois a graça de Deus me resgatou de uma vida velha, muitas vezes, manchada pelos pecados, por uma vida desregrada e desgarrada da graça de Deus, onde busco não voltar à vida errada que vivi em algum momento de minha vida, em um combate interior, em uma luta de alma, reconhecendo que tenho fraquezas e limites, porém com a graça de Deus e com minha disposição me moldar a cada dia para viver em mim a imagem de Deus, no compromisso de amor, amando a mim mesmo, querendo o bem a mim mesmo, cuidando da minha saúde, do meu corpo, da minha disciplina interior, amando o próximo, buscando ter a graça de saber perdoar, superar o rancor, o ressentimento e as contrariedades que a vida nos impõe.

Na busca por mim, descobri a Verdade. Na busca pela Verdade, descobri o Amor. Na busca pelo Amor, descobri Deus. E, em Deus, tenho encontrado Tudo.

Assim, sendo o ponto fundamental para que eu seja um Católico Apostólico Romano, sobre a ‘conversão’, é importante, citar sobre o tema, o seguinte texto do Catecismo da Igreja Católica:

Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Na pregação da Igreja este apelo é feito em primeiro lugar aos que ainda não conheceram a Cristo e seu Evangelho. Além disso, o Batismo é o principal lugar da primeira e fundamental conversão. É pela fé na Boa Nova e pelo Batismo que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados e o dom da nova vida. Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a soar na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que “reúne em seu próprio seio os pecadores” e que “é ao mesmo tempo santa e sempre, na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação”. Este esforço de conversão não é apenas uma obra humana. É o movimento do “coração contrito” atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus que nos amou primeiro. Comprova-o a conversão de São Pedro após a tríplice negação de seu mestre. O olhar de infinita misericórdia de Jesus provoca lágrimas de arrependimento e, depois da ressurreição do Senhor, a afirmação, três vezes reiterada, de seu amor por ele. A segunda conversão também possui uma dimensão comunitária. Isto aparece no apelo do Senhor a toda uma Igreja: Converte-te! (Ap 2.5/16). (1999, p. 393,394, grifo nosso)

Ainda sobre o tema, para melhor entendimento sobre a ‘conversão’ o Catecismo da Igreja Católica, continua falando sobre ‘A Penitência Interior’:

Como já nos profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa em primeiro lugar às obras exteriores, “o saco e a cinza”, os jejuns e as mortificações, mas à conversão do coração, à penitência interior. Sem ela, as obras de penitência continuam estéreis e enganadoras: a conversão interior, ao contrário, impele a expressão essa atitude por sinais visíveis, gestos e obras de penitência. A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça. Esta conversão do coração vem acompanhada de uma dor e uma tristeza salutares, chamadas pelos Padres de animi cruciatus (aflição do espírito)”, compunctio cordis (arrependimento do coração)”. O coração do homem apresenta-se pesado e endurecido. É preciso que Deus ao homem um coração novo. A conversão é antes de tudo uma obra de Deus que reconduz nossos corações a ele: “Converte-nos a ti, Senhor, e nos converteremos” (Lm 5,21). Deus nos a força de começar de novo. É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado e começa a ter medo de ofender a Deus pelo mesmo pecado e de ser separado dele. O coração humano converte-se olhando para aquele que foi transpassado por nossos pecados. Fixemos nossos olhos no sangue de Cristo para compreender como é precioso a seu Pai porque, derramado para a nossa salvação dispensou ao mundo inteiro a graça do arrependimento. Depois da Páscoa, o Espírito Santo estabelecerá a culpabilidade do mundo a respeito do pecado, a saber, que o mundo não creditou naquele que o Pai enviou. Mas esse mesmo Espírito, que revela o pecado, é o Consolador que dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da conversão. (1999, p. 394, grifo nosso)

Destarte, a conversão é algo que se pode até estudar, mas só quem passou por tal processo poderia relatar o que realmente seria a conversão, pois muitas pessoas que até mesmo cresceram no cristianismo e seguem-no, podem nunca ter passado por uma experiência de vida assim, com tamanha profundidade espiritual. Trata-se de um experiência interior entre a pessoa e Deus, superando até mesmo o meio externo que muito influencia o ser humano. Ainda, o tema gera muitas discussões sobre a existência ou não de Deus e se a conversão não seria algo psicologicamente explicável.

Sobre a Liberdade de Culto:

“A “Liberdade de Culto” juntamente com a “Liberdade de Crença” e a “Liberdade de Organização Religiosa”, são abrangidas pela “Liberdade Religiosa”, onde a mesma deriva da Liberdade de Pensamento, uma vez que ao ser exteriorizada se torna uma forma de manifestação do pensamento.

A liberdade de culto, abrange a liberdade de orar e a de praticar atos próprios das manifestações exteriores em casa ou em público”. (LIBERDADE RELIGIOSA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Liberdade_religiosa&oldid=45490072>. Acesso em: 24 mai. 2016.

Sem adentrar à uma explicação doutrinária e fundamentada em leis, sobre o tema da liberdade de consciência e de crença, garantida pela Constituição Federal Brasileira, e partindo para uma explicação mais prática. Em minha opinião de forma prática e racional, a liberdade de Culto vem de um conceito onde praticamente todas as religiões pregam o mesmo conceito, me desculpe se estiver enganado, mas até a data de hoje em que escrevo este texto (24/05/2016), não conheço religião alguma que não pregue o “Livre Arbítrio”.

Desta forma, com base no conceito do Livre Arbítrio, se faz necessário entendermos que ‘Nós não podemos mandar nos desejos dos outros’, mesmo que uma pessoa, seja funcionário, seja filho, amigo, parente, etc, faça o que pedimos, não significa necessariamente que a mesma em si desejou tal coisa. Veja-se que não podemos mandar nem nos nossos próprios desejos, podemos até escolher qual atitude tomar diante de nossos desejos, mas não deixamos de desejar mesmo que decidamos não ceder ao desejo.

Destarte, ao entendermos isso, creio ficar claro que antes de tudo, se faz necessário respeitarmos uns aos outros, entendendo que não podemos mandar nos desejos dos outros, pois ‘moral é quando eu digo o que eu tenho que fazer, moralismo é quando eu digo o que os outros tem que fazer’.

A relação religiosa é sempre entre a pessoa em si, em seu ‘EU’ interior e o ‘DEUS’ que escolhe cultuar/seguir, nunca com os outros. Quem é o que diz ser, simplesmente é, ou, vive de acordo. Não precisa provar nada pra ninguém. Não precisa provar para Deus, se você for o que diz ser Deus já sabe, sabe até mesmo o que se passa em seu coração. Não precisa provar para a sociedade, a sociedade verá no reflexo de suas ações e atitudes perante a mesma. Não precisa provar para os familiares, sua família sabe muito bem quem você é com base em suas ações e atitudes perante a mesma. Não precisa prova nada nem pra si mesmo, porque quem diz ser alguma coisa não precisa nem mesmo dizer que é, não precisa postar no facebook, no twitter, no instagram, simplesmente vive de acordo com o que é, não que seja proibido postar pois temos a liberdade de expressão, rsrsrs.

Por fim, seja judeu, cristão, islâmico, espirita, budista, xintoísta, hinduísta, ateu, etc, o importante é respeitarmos uns aos outros sempre.

Rodrigo Yú Matsumoto,  29 anos, atuo como Advogado e Empresário na cidade de Petrolina/PE e na Região do Vale do Rio São Francisco.

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