A LIBERDADE DE EXPRESSÃO… o novo artigo do professor Moisés Almeida

(Foto: arquivo)

Por Moisés Almeida, professor da UPE/Petrolina, Facape e Doutorando em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Há algum tempo escrevi um texto sobre os limites da liberdade de expressão, citando, inclusive, artigos do Código Penal brasileiro que prevê penalidades para o abuso de expressões e também de ações não coniventes com a convivência harmônica na sociedade. Intitulei o texto de “Canalhas, Canalhas, Canalhas”, devido a expressão está sendo muito utilizada para xingar políticos, personalidades e magistrados em diversas instâncias.

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Em busca da “sustentabilidade total”: Francisco propõe mais sete anos de Laudato Si’. Por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O Filósofo e Sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez ele aborda um documento do Papa Francisco para as questões socioambientais.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

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Todos perdem com a Pandemia? Artigo do professor Moisés Almeida

(Foto: Arquivo)

Por Moisés Almeida – Professor da UPE/Petrolina, Facape e Doutorando em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

TODOS PERDEM COM A PANDEMIA?

Tenho escutado frequentemente essa frase: “Todos estão perdendo com a pandemia”. Essa narrativa tem sido rotineira, numa tentativa de nivelar toda a sociedade. O discurso de que ricos e pobres estão na mesma situação se propaga e consegue adeptos em todo o planeta.

Na crise, seja ela em função de uma doença, de catástrofes ecológicas e até mesmo em situação de guerra, existem três tipos de categorias sociais: as que ganham, as que nem ganham e nem perdem e as que perdem. Então, não há como nivelar no mesmo patamar a sociedade, até porque a desigualdade existe e ela vem sendo cada vez mais escancarada com as sucessivas crises econômicas.

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De Mussolini a Bolsonaro: trabalhando com os porões da alma humana. Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

De Mussolini a Bolsonaro: trabalhando com os porões da alma humana.

Roberto Malvezzi (Gogó)*

– Io non ho creato il fascismo, l’ho tratto dall’inconscio degli italiani. Se non fosse stato così, non mi avrebbero seguito per venti anni (Mussolini) –

Em livre tradução pessoal: “não criei o fascismo, tirei-o do inconsciente dos italianos. Se não fosse assim, eles não teriam me seguido por vinte anos”.

Há um belo filme italiano – Estou de Volta – que diz respeito à ressurreição de Mussolini na Itália nos dias atuais. É uma metáfora do retorno do fascismo – e seus fascínios – nos dias de hoje na Itália carregada de negros, egípcios, latinos, do povo de saco cheio de tantos partidos, da classe política, da saudades de um comandante autoritário, enfim, de Benito Mussolini. Feito em tom de comédia e farsa, vai fundo na alma italiana saudosista de um ditador.

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Em artigo, Maurício Dias Cordeiro questiona onde está Juazeiro e fala sobre perca de identidade da cidade

O compositor Maurício Dias Cordeiro enviou ao nosso blog um artigo de interessante leitura. No texto, o artista de Juazeiro questiona a perca de identidade da cidade baiana que tanto contribuiu – e contribui – com a cultura brasileira.

Maurício fala sobre a saída de João Gilberto do município e faz uma crítica àqueles que desclassificam seus trabalhos sobre Juazeiro, o Rio São Francisco, João Gilberto e a “bossa nova”.

Confira o artigo completo

Estorvo!!

Hoje, 23 de agosto, estreia nacionalmente o filme do diretor Franco-suíço Georges Gachot, baseado no livro “Onde está você João Gilberto?” do jornalista alemão Marc Fischer.

João nasceu em Juazeiro, 1931, 87 anos. Continua recluso, avesso. Saiu de Juazeiro para revolucionar a música brasileira, influenciar o “jazz” americano e, ao lado de Tom Jobim, continua sendo o músico brasileiro mais respeitado no mundo até hoje.

A Juazeiro mágica dos tempos de João não existe mais? Ele saiu de vez aos 18 anos.

Com seus mais de 230 mil habitantes, Juazeiro hoje, pouco se interessa por seus valores históricos/humanos/culturais? Os poucos da resistência vivem, às vezes, ridicularizados no contexto da inversão de valores existenciais.

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O roubo da Flor da Cohab Massangano; por Eduardo Zanazi

O leitor Eduardo Zanani, Técnico de Suporte Ti, morador do Bairro Cohab Massangano, em Petrolina (PE), escreveu um artigo ao Blog Waldiney Passos, através do qual mostra sua indignação pelo roubo de uma planta, que ostentava uma bela flor no jardim da sua residência.

Para o leitor, roubar uma flor pode até ser romântico, mas arrancar uma planta com todas as suas raízes chega a ser ridículo.

Leia a íntegra do artigo

“Saindo hoje de casa, na Cohab Massangano, Rua 81 tive uma triste surpresa. Ao abrir o portão e sair de casa, senti um vazio, senti a falta de cor, de vida, de energia.

Olhei a minha volta, me deparei com um buraco no jardim de casa.

Jardim esse, que fica do lado de fora da nossa casa. O que havia acontecido lá?

Até onde vai a capacidade de contemplação do ser humano??? Ahhh… Realmente, isso não existe!!!

O que existe é a incapacidade de se deslumbrar com a natureza, que apesar de simples, é uma das mais belas criações de Deus…

Se fazem isso com uma inocente plantinha, como acreditar que podem se importar com o próximo???

Muitas pessoas, como esse pobre assaltante de plantas, fazem questão de serem: erradas, desonestas e corruptas. São pessoas invejosas, infelizes e mal amadas.

O recado que, pessoas assim nos deixam, é que tudo são provações e acrescento que não vamos deixar o mal nos destruir. Somos pessoas do bem e nossa missão é sempre continuar em frente, ajudando sem esperar que alguém nos ajude.

Vamos plantar outra flor, uma bem bonita que vai atrair muita paz e alegria pra vida daqueles que sabem contemplar a natureza. A plantinha roubada, infelizmente, não vai vingar e sabemos o porquê.

Somos guerreiros, trabalhadores, temos nossa consciência tranquila e somos felizes com o pouco que temos. E o pouco com Deus é muito. Sorria, a vida é bela.”

Atenciosamente,

Eduardo Zanazi

Técnico de Suporte Ti

Artigo: Lula nos livrou dos generais; por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O julgamento do habeas corpus pedido pela defesa do ex-presidente Lula, no STF, para que o mesmo não fosse preso após os recursos esgotados em segunda instância, repercutiu em todo o mundo. O assunto também foi tema do novo artigo do filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, que traz como título Lula nos livrou dos generais.

Segue à íntegra do artigo.

Lula nos livrou dos generais 

Roberto Malvezzi (Gogó)

Lula nos livrou dos generais, ao menos por hora. Sua prisão sacia o rancor da classe média, o interesse dos empresários, a vingança da velha mídia (Globo, Folha, Veja, etc.), a ética hipócrita de juízes e promotores, principalmente, a honra dos generais.

Mas, o problema é que a questão não está resolvida, o golpe ainda não fechou. É preciso julgar o mérito dessa questão, isto é, se a prisão em segunda instância vai ser sempre automática ou vai depender do Supremo Tribunal Federal a última palavra, como está na Constituição. Então, o Supremo terá que decidir novamente sobre a questão.

Mais uma vez a mídia, uma parte dos juízes e promotores, a classe média e os generais vão pôr a espada no pescoço do Supremo, particularmente da ministra Rosa Weber, que tem suas convicções, mas não tem coragem de enfrentar essa turba. Parece que a questão será pautada para Setembro.

Na Quaresma, para nós cristãos, sempre volta aquela frase de Caifás: “é preciso que um só homem morra por todos” (João 11,45-46). Jesus era o bode expiatório da sede de rancor do povo e das autoridades de Israel, sobretudo, o pavor de perder ou dividir o poder. Pilatos vacila, tem até pena de condenar aquele inocente, mas, temendo o povo, o entrega para ser crucificado. Esse exemplo não serve apenas como metáfora, mas tem sua pertinência histórica, já que o bode expiatório veio antes de Jesus, tornou-se Nele “cordeiro de Deus”, mas segue pelos meandros da história.

E nosso povo? “Sangrado e ressangrado, capado e recapado” (Capistrano de Abreu) age sempre com pragmatismo. O silêncio muitas vezes é a arte da sobrevivência. A espera pelo tempo mais oportuno. As artimanhas para sobreviver, como dizia Paulo Freire. Nossos índios, negros e empobrecidos conhecem essa arte como ninguém, por isso estão vivos.

O povo sabe onde está o poder e engole a seco. Rumina.

Quanto a Lula, vai para a cadeia – vai saber por quanto tempo! -, mas, estará para sempre nos pesadelos de seus algozes e na perigosa memória do povo.

Artigo: exército, das favelas de Canudos para as favelas do Rio

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi (Gogó), mais conhecido como Gogó, divulgou novo artigo de sua autoria. Dessa vez, ele faz uma comparação entre a Guerra de Canudos, que aconteceu no interior da Bahia, com a intervenção do exército na cidade do Rio de Janeiro.

Roberto Malvezzi nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Atualmente reside em Juazeiro (BA) e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

Veja o artigo na íntegra.

Exército: das favelas de Canudos para as favelas do Rio

Roberto Malvezzi (Gogó)

Favela, poucos sabem, é uma árvore típica da Caatinga. Espécie absolutamente inteligente, adaptada ao clima semiárido, é dotada de muitos espinhos e um poderoso ácido que fazem sua defesa contra os predadores. Quem tocar numa favela, sai queimado.

Quando o Exército Brasileiro atacou Canudos, teve três fragorosas derrotas antes da batalha final em 1897. O espaço mais árduo para a conquista final foi o ‘Morro das Favelas” (Alto da Favela), um espaço permeado pela árvore urticante e um dos enfrentamentos mais hostis para os soldados.

Quando terminou a guerra, os soldados voltaram em grande parte para o Rio de Janeiro. Dispensados, sem soldos, sem emprego, foram morar nos morros do Rio, começando pelo Morro da Providência, a primeira favela do Rio. Então, para ligar a hostilidade das caatingas com a hostilidade do novo lugar de moradia, associaram a árvore ácida da caatinga com as condições de vida dos morros cariocas, as habitações precárias, também associada à ideia de lugar alto. Até hoje estão aí as favelas.

Soldados rasos e policiais normalmente vem das classes populares mais baixas. Literalmente, vão servir de “bucha de canhão” para serem guardiões do capital, em nome da pátria. Assim aconteceu com os soldados de Canudos.

Um general do Exército fez uma declaração esses dias exigindo, ao menos verbalmente, que os soldados que agora vão atacar as favelas do Rio de Janeiro, tenham poder de polícia e que não tenham responsabilidade penal pela eliminação de cidadãos. É uma declaração de guerra aos favelados do Rio.

Estima-se que o tráfico de drogas internacional movimenta cerca de 500 bilhões de dólares ao ano, grande parte circulando pelo ético e asséptico sistema bancário global. No Brasil, helicópteros, aviões, caminhões, muitas vezes transportando de 500 kg a toneladas de drogas, pegos em flagrante, jamais tem seus donos identificados, muito menos presos.

Então, vez em quando em nossa história o Exército Brasileiro cruza com as favelas e os favelados. Essa relação nunca foi amiga e nem de convívio. Mas, a história nos recorda que a primeira favela brasileira foi parida pelo nosso Exército.

Artigo: Violência, a parteira da história?

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez, ele aborda a violência.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Chegou ao interior da Bahia em janeiro de 1979, para ficar um mês nas comunidades rurais de Campo Alegre de Lourdes, divisa com o Piauí. Era um trabalho organizado pela paróquia da cidade.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

Segue o artigo

Violência, a parteira da história?

– C. da Fraternidade 2018 –

Roberto Malvezzi (Gogó) 

Para Marx a violência é a parteira da história. É só por ela que o novo nasce.

Um cientista afirmou esses dias que a humanidade só conheceu a igualdade após períodos de grande violência, como a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que nessa guerra 47 milhões de pessoas perderam a vida, sendo 26 milhões de soviéticos.

Na natureza, principalmente na cadeia alimentar, os mais fortes devoram os mais fracos. Os jovens leões, quando conquistam o território dos leões mais velhos, lhes roubam as fêmeas e depois matam todos os filhotes do antigo rei do pedaço. É o “Struggle for Existence” (life) de Darwin. Malthus trouxe esse princípio para o convívio social.

O próprio Universo foi parido por explosões violentas e não é possível entender a formação do mundo sem ela. Os cientistas dizem que nós, os humanos, só estamos aqui porque o choque de um meteoro bloqueou a atmosfera por anos, eliminando a vida dos dinossauros, possibilitando que evoluíssem os mamíferos, portanto, chegando até nós.

Há quem pense que o Brasil, enquanto não conhecer um confronto sangrento, onde as mortes aconteçam aos milhares de ambas as partes, jamais será um país justo. Só assim a elite escravocrata, que continua no poder, passaria a respeitar o povo.

Entretanto, a violência mata 60 mil pessoas por ano no Brasil, a maioria jovens, desses a maioria negra, dessa a maioria do sexo masculino. É uma verdadeira assepsia social a cada ano para prevalecer os interesses dos escravocratas.

Estatísticas nos disseram esses dias que cinco brasileiros concentram a riqueza de mais de 100 milhões de compatriotas. Ainda mais, 1% de brasileiros concentra 81% da renda nacional, ficando os outros 205 milhões com a tarefa de dividir entre si os 19% da riqueza restante. Mesmo assim há quem defenda maior concentração de renda, de propriedade, de poder e que essa minoria seja cada vez mais defendida à bala. A violência estrutural é a mãe de todas as violências, já diziam os bispos católicos em 1968 em Medellin, Colômbia.

Na verdade, a violência é, sobretudo, o controle do poder. Um general estadunidense afirmou que o importante mesmo é o “complexo industrial-militar”. Os exércitos do mundo aqui encontram sua razão de ser. Em plena Campanha da Fraternidade o Exército Brasileiro ocupa o Rio de Janeiro e é apoiado pela classe dominante e a Igreja Católica local.

Mas, há uma outra linhagem histórica de luta pela paz. Muitos dos grandes pacifistas da humanidade morreram violentamente, não porque praticavam a violência, mas porque os violentos detestam a paz que é fruto da justiça. Jesus, Gandhi, Luther King, Chico Mendes, Dorothy Stang, todos foram vitimados por defenderem a paz e a justiça. Mas, eles e elas nos ensinam que ser pacifista nunca foi ser conivente ou omisso diante da violência estrutural e pontual. Denunciaram essas situações a tal ponto de terem suas vidas sacrificadas pela paz.

Espero que nossas comunidades e grande parte da sociedade brasileira sejam capazes de ir fundo no debate sobre a violência nesse violento Brasil, particularmente em 2018, onde a violência declarada quer ocupar o poder central.

Não podemos perder de vista o “golpe” – e todos os golpistas –  que deu sequência a esse Brasil violento que vem desde nossas origens.

Artigo: de Mandela a Lula por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez, ele traça um paralelo entre o líder Negro Nelson Mandela e o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Chegou ao interior da Bahia em janeiro de 1979, para ficar um mês nas comunidades rurais de Campo Alegre de Lourdes, divisa com o Piauí. Era um trabalho organizado pela paróquia da cidade.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

Segue o artigo

De MANDELA a LULA

Roberto Malvezzi (Gogó)

Muitas vezes me pergunto se Lula tem as condições de se tornar um herói da Senzala brasileira como Mandela na África do Sul. Aquele pegou 40 anos de cadeia para ver sua causa triunfar, e não era nada mais humana que o reconhecimento legal de igualdade entre brancos e negros naquele país.

Estive em Soweto, que era considerado um bairro de Johannesburgo, mas na verdade era uma cidade com 2 milhões de negros confinados, que tinham que ter um alvará para sair do confinamento e reapresenta-lo ao voltarem ao seu gueto. Lá estava o Museu da Imagem e do Som do Apartheid, com cenas dantescas de lutas dos negros para conseguir seu simples direito à cidadania.

Os 40 anos de prisão de Mandela levaram os negros a celebrar sua liberdade um dia, ainda que tardia.

Todos que tem um mínimo de respeito pelos fatos sabem que Lula não é um comunista. Nem parece ter pendores para tantos anos de cadeia em função de uma causa. Sua proposta sempre foi um capitalismo mais inclusivo, traduzido na famosa frase que o “povo tem direito a três refeições por dia”. Foi o que fez.

Tivemos muitos confrontos com Lula, na questão do São Francisco, Belo Monte, obreirismos da copa e das olimpíadas, etc. Mas, por beneficiar a vida do povo simples com água, energia, alimentos, melhoria da habitação, além do acesso de uma ínfima parte do povo às universidades, colhe todo ódio que os escravagistas de ontem e hoje lhe atribuem. Para os escravagistas, se for pelas mãos do Lula, nosso povo nem pode beber um copo de água limpa e comer um prato sadio de comida.

Já condenado em segunda instância, o dilema agora é se será preso, ou simplesmente impedido de concorrer às eleições em 2018. Se for preso, condenado a 12 anos de prisão, entrando na cadeia aos 72, estará eliminado dos processos eleitorais, ao menos como candidato. Foi condenado por ser suposto dono de um apartamento que nunca usou e agora por usar um sítio de um amigo.

Terá Lula a grandeza histórica de um Mandela, se for preso, de fazer de sua prisão um gesto histórico, superando o simples gesto político, no sentido de superar um país historicamente dividido entre a Casa Grande & Senzala? Só a história dirá.

Seus adversários ainda cometem a imbecilidade de perguntar o porquê após a condenação ele não cai nas pesquisas. O fato é que poderá eleger quem quiser de dentro da cadeia. Dessa humilhação, de perder para um prisioneiro, seus inimigos não têm como escapar.

OBS: Há uma cena de José Serra pisando num abaixo assinado contra a previdência. O que um homem pode fazer para acabar com sua biografia! Um bispo da cúpula da CNBB me dizia que sua maior decepção no golpe era exatamente o Serra. Talvez sua fúria se deva aquela frase de Kátia Abreu, quando lhe arremessou um copo de vinho na cara: “você jamais será presidente”.

Miguel Coelho escreve artigo e defende saída da Compesa de Petrolina

Miguel não tem aprovado forma de tratamento dispensada pela companhia a Petrolina.

Após tentar dialogar com a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) sobre a atuação da empresa em Petrolina, o prefeito Miguel Coelho rompeu os laços de vez em um artigo no qual defende a municipalização do serviço, assim como Júlio Lossio. No texto Miguel apresenta números e dados da atuação da companhia em Petrolina.

Segundo o prefeito, a Compesa não conseguiu sequer chegar perto de cumprir suas metas estabelecidas para o município. Além disso, o fato da empresa parecer ter esquecido a cidade recentemente chamou a atenção de Miguel. “A última proposta feita pela Prefeitura, no mês de setembro, só foi respondida agora, quatro meses depois. Isso de pronto já deixa uma mensagem muito clara, ou Petrolina não é prioridade para a empresa, ou esqueceram da cidade de setembro para cá”.

Confira a íntegra do artigo

As dificuldades enfrentadas pelos municípios brasileiros não são mais novidade para ninguém. Exatamente em razão dessa dura realidade, os gestores públicos têm buscado novos caminhos para poder atender aos anseios da população com qualidade e dignidade. Se pararmos um pouco para observar a história de Petrolina, constataremos uma cidade que tem no seu DNA a luta incansável por superar os desafios e quebrar paradigmas. Estão aí para provar o aeroporto regional, os perímetros irrigados, a infraestrutura muito a frente com duplicações de avenidas e viadutos construídos bem antes do que se falava em desafios da mobilidade. Porém, com o passar do tempo, os desafios mudam, e aqui estamos mais uma vez na busca pioneira de ser um modelo de gestão não só para Pernambuco, mas sim para todo o Brasil.

Petrolina tem buscado a inovação. Nossa cidade instituiu uma parceria inédita com o Banco do Nordeste que limpou o nome de centenas de famílias da zona rural, modelo inclusive que foi replicado em todas as regiões do País. Também foi buscado na união com a iniciativa privada uma nova forma de relacionamento. Seja na revitalização e manutenção das nossas praças; No cuidado com a obesidade infantil, que com apoio de uma multinacional, estamos implementando hortas e conscientização nutricional em todas as unidades de educação infantil envolvendo mais de 30 mil pessoas.

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Artigo: uma palavra por Lula, por Roberto Malvezzi

(Foto: CPT/arquivo)

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Chegou ao interior da Bahia em Janeiro de 1979, para ficar um mês nas comunidades rurais de Campo Alegre de Lourdes, divisa com o Piauí. Era um trabalho organizado pela paróquia da cidade.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

UMA PALAVRA POR LULA

Roberto Malvezzi (Gogó)

Desde a juventude acompanho a trajetória pública de Lula, desde as greves do ABC, na resistência à ditadura, o início do PT, sua expansão pelo Brasil. Mas, eu venho do ramo das Pastorais Sociais, das CEBs, das lutas sociais, da Teologia da Libertação, nunca fui filiado a nenhum partido. Sou do grupo que nunca vai ao poder, prefere ficar no meio do povo.

Lula uma vez no poder, fomos os primeiros a confrontá-lo, em vista da Transposição. Ela está quase concluída, a revitalização do São Francisco, como sabíamos, não saiu do zero, exceto algumas obras de saneamento nos municípios da bacia.

Dia 24 ele será julgado em segunda instância. Por ser um processo mais político que jurídico, já está condenado. A prisão vai depender das circunstâncias. Parece que não será nesse primeiro momento.

Mas, no dia 24 estará em jogo não apenas o Lula com seus erros e acertos históricos. O que tanta gente não se conforma é o caráter parcial desse julgamento, como forma de perseguição pessoal, da condenação sem provas, ignorando o princípio milenar do direito “in dubio pro reo”, com origem no direito romano, mas que é esgarçado em todo regime de exceção.  Só o fato da juíza Luciana Correa Torres de Oliveira penhorar o tal tríplex como sendo da OAS, enquanto Moro condenou Lula a nove anos por lhe atribuir a propriedade, indica o absurdo em que se meteu o judiciário brasileiro nesse caso.

Hoje – basta ouvir o diretor do filme “Snowden” – está comprovada a participação dos Estados Unidos no golpe para destruir ou se apossar de empresas competitivas que não estejam sob seu controle, como a Petrobrás e a Embraer, ou para derrubar governos que não lhes são submissos. Temos os 10% de brasileiros que apoiam Temer e o golpe, os milionários e bilionários, aquelas velhas almas colonizadas que beijam o traseiro dos estadunidenses e oprimem nosso povo.

Não precisamos citar mais esses seres humanos abjetos como Eduardo Cunha, Geddel e o papel que cumpriram nesse processo. No tangente ao desmonte do estado brasileiro o golpe já está praticamente concluído. Falta eliminar as sementes da reação.

O processo deixa transparecer claramente a moral farisaica, que “coa mosquito e engole camelo”, investigando de forma enfadonha uns recibos de aluguel, mas fazendo vistas largas às corrupções monumentais de pessoas de outros partidos, de vasto conhecimento público e com provas inequívocas.

Lula poderá sair condenado e preso, mas sua vitória sobre seus algozes já está concluída, pelas intenções de voto que o povo lhe deposita. Historicamente seus perseguidores já perderam a guerra, particularmente Dallagnol e Moro.  Acusaram, condenaram, mas não provaram, enquanto Lula está vivo no coração do povo.

O povo sabe ler a história e ela não termina no golpe.

Artigo: a Compesa, a política partidária e o desserviço bem pago

(Foto: arquivo)

Acompanhe o artigo escrito pelo Professor, Mestre em História, da Universidade de Pernambuco, Campus Petrolina, Moisés Almeida.

Leia a íntegra do texto:

Nos últimos dias em Petrolina, a COMPESA – Companhia Pernambucana de Saneamento, novamente fez parte de uma série de críticas de moradores, representantes de movimentos sociais e até de políticos. É uma história que se repete e em sentido cíclico, retorna como se tivesse fadada a nunca acabar.

A polêmica sobre seus péssimos serviços prestados à população petrolinense, segundo relatos de moradores nas mídias sociais, me motivou a escrever esse texto, fazendo uma pesquisa sobre o que tem ocorrido nesta trama ad infinita. Seguirei uma linha histórica, desde as primeiras manifestações de independência por parte do poder público municipal em relação ao controle do abastecimento de água e saneamento, e, mostrarei com dados numéricos, que a empresa é superavitária, sendo seu maior entrave, a política partidária, que dificulta uma maior relação entre a Empresa e seus serviços prestados à população de Petrolina.

Comecemos, pois pelo ano de 1975, quando no Governo do Prefeito Geraldo Coelho foi firmado um contrato de prestação de serviços, que valeria por 50 anos. Portanto, segundo essa pactuação, a Compesa prestaria serviços até o ano de 2025. Mas, faltando 24 anos para encerrar o contrato, o Prefeito de então Fernando Bezerra Coelho, resolveu retomar a exploração dos serviços, com participação da iniciativa privada, podendo privatizar até 40% das ações de água e esgoto.

Era o ano de 2001, quando Bezerra Coelho encaminhou um Projeto de Lei à Câmara Municipal solicitando autorização ao legislativo. Em Petrolina houve muita discussão, especialmente no tocante à possibilidade de privatização dos serviços. Naquela época, depois de várias discussões, foi aprovada a Lei nº 1.023/01, de 03/04/2001. Seguindo com sua proposta de municipalização e privatização dos serviços, o prefeito, três meses depois encaminhou à Câmara Municipal outro Projeto de Lei, criando a Empresa Águas de Petrolina.

Sem consenso e com muitas críticas a decisão, o legislativo aprovou a Lei nº 1.059/01 de 13 de julho de 2001. Lembro, que um dos políticos contrários a essas Leis foi o então Deputado Federal Gonzaga Patriota, que no plenário da Câmara Federal, no dia 24 de fevereiro de 2003, assim falou: “Como é perceptível, Senhor Presidente, o município de Petrolina, vivencia um de seus piores momentos na área de Água e Esgotos Sanitários.

A prefeitura não resolve suas posições, a COMPESA não consegue melhorar sua performance e a população sofre com o descaso das autoridades municipais e estaduais”. Mesmo sendo contrário a decisão de Bezerra Coelho, o pronunciamento de Patriota na Câmara Federal nada adiantou.

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Artigo: O Que Pode Ser Mais Importante Que O ENEM?

(Foto: Profa Dra Rita Cristiane R.G.Soares)

“No próximo domingo, dia doze de novembro, mais uma vez milhões de jovens, em todo o Brasil, farão a segunda prova do exame nacional do ensino médio – ENEM, que possibilita o acesso à mais da metade das universidades brasileiras, e a algumas universidades no exterior, encontrando-se, nessa semana que antecede, inúmeros candidatos tensos com a expectativa de alcançarem ou não a nota de corte, necessária para cursarem a faculdade que tanto almejam.

É uma corrida contra o tempo, contra o seu concorrente ao mesmo curso, mas, sobretudo, contra si mesmo, buscando vencer a fadiga natural de meses, para alguns, anos, de estudo se preparando para esse momento. Todavia, a despeito da natural relevância desse exame, é fundamental compreender a sua grande relativização diante das inúmeras possibilidades apresentadas pela própria vida, não se justificando, especialmente para o jovem, qualquer desespero ou angústia diante de eventual fracasso.

Em verdade, mesmo o conceito de fracasso, por não obter a nota suficiente para cursar a faculdade pretendida, é completamente equívoco no presente caso, vez que, diferente do que muitos possam imaginar, o resultado da prova do ENEM não define nada, pois não acrescenta e nem diminui nada do que aquele candidato é ou possa vir a ser um dia, vez que aquilo que realmente importa, porque nos define como ser humano e como profissional, é a nossa trajetória, o nosso percurso, a nossa caminhada cheia de alegrias, tristezas, derrotas, vitórias, maior e menor esforço, surpresas boas e ruins, amizades, inimizades, e, sobretudo, a forma como nos comportamos, reagimos durante esse trajeto, compreendendo que a vida, mesmo muitas vezes difícil de ser vivida, pode ser sempre bela, se estivermos atentos o suficiente para observarmos a beleza do caminho.

Assim, consiga ou não boa nota no ENEM, passe ou não na faculdade almejada, o que realmente importa, é que houve o sonho e a busca concreta para realizá-lo, da mesma forma que, após esse, outros sonhos, idênticos ou completamente diferentes, nascerão, e novas buscas tão intensas serão realizadas, mas, de novo, a concretização deles não nos pertence, só a Deus, vez que para nós, está reservada a possibilidade maravilhosa de sempre sonhar de novo e recomeçar…

Profa Dra Rita Cristiane R G Sores”

Artigo: “120 anos de Canudos: o confronto entre dois Brasis”

Mulheres e crianças, seguidoras de Antônio Conselheiro, presas durante os últimos dias da guerra. (Foto: Internet)

E lá se vão 120 anos de Canudos. De 1893 a 1897 resistiam no sertão baiano, num lugar batizado de Belo Monte, cerca de 35 mil pessoas que tinham em comum uma vida de muito sofrimento, miséria e dificuldades, como uma série de ex-escravos que estavam literalmente nas ruas e sem perspectiva alguma de vida e em Belo Monte puderam encontrar alguma esperança.

São exatos 120 anos. Mais precisamente, em outubro de 1897 ocorre o Massacre de Canudos. Uma das maiores chacinas da história deste país, na qual as forças da recém proclamada República do Brasil assassinaram cerca de 20 mil pessoas com requintes de crueldade, como a degolação de centenas de crianças, mulheres e idosos.

E graças ao trabalho do escritor e jornalista Euclides da Cunha pudemos ter acesso a muito deste capítulo da história do país. “O Sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Quem não conhece esta importante frase e que possui tanto significado em nossa realidade? Se antes escutava e entendia como uma bonita frase literária, vivendo no sertão passei a ter convicção do quão real e representativa ela é. A força está no rosto e na ação deste bravo povo.

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