A Grande Ilusão Vacinal – artigo do Secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas

secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas.

Fábio Vilas-Boas Pinto, nasceu em Salvador (BA), em 25 de março de 1967. É médico cardiologista, formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente recuperado da Covid-19, ocupao cargo de Secretário da Saúde do Estado da Bahia.

Hoje, ele divulgou um artigo de sua autoria com o título: A Grande Ilusão Vacinal. Vale a pena conferir.

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O Hidronegócio avança no Mercado Futuro; por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O Filósofo e Sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez ele fala sobre o uso da água como negócio lucrativo.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro (BA) e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

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O Hidronegócio avança no Mercado Futuro

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Peixes de Piracema. Aos que estão desanimados; por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O Filósofo e Sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez uma mensagem para aquelas pessoas que estão desanimada, mas têm fome e sede de justiça.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro (BA) e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

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O ciclo das águas e as enchentes; por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó). (Foto: CPT/arquivo)

O Filósofo e Sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez sobre as enchentes causadas pelas chuvas.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro (BA) e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

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O ciclo das águas e as enchentes

Roberto Malvezzi (Gogó)

O ciclo das águas começa com as chuvas, a partir da evaporação dos oceanos. No Brasil e em parte do continente latino-americano, engrossado pela evapotranspiração da floresta Amazônica. Então, os rios voadores espalham chuvas por quase todo território nacional, que serão armazenadas em aquíferos como Guarani, Urucuia e Bambuí no Planalto Central. Depois, eles distribuem essas águas para todas as grandes bacias brasileiras.

Outra parte corre nos mananciais de superfície e volta ao mar, ou fica armazenada em mananciais de superfícies, como lagoas e lagos. Outra parte evapora e retorna para a atmosfera.

Assim, o ciclo das águas é fundamental para o ciclo da vida. Aqui na Caatinga, quando chove, a caatinga que parecia morta (estava hibernada) como que ressuscita, a vegetação fica verde em uma semana, reaparecem várias espécies de pássaros, insetos e outros animais que a gente não sabe dizer de onde vieram. Como diz um amigo criador de cabras, “até as cabras entram no cio”.

Entretanto, vêm também as enchentes. Não é culpa da natureza. As pessoas foram morar em lugares onde o espaço era das águas. Aqui na cidade de Juazeiro da Bahia, as enchentes ocorrem onde antes eram as lagoas marginais do Velho Chico e às margens dos riachos que ligavam essas lagoas à calha central do grande rio. Os riachos continuam como canais de esgoto a céu aberto. Todos os anos, quando a chuva é intensa como agora, vêm as tragédias socioambientais sobre a população que habita essas áreas de risco, muitas vezes transformando-se em tragédias humanitárias.

O saneamento básico da cidade – abastecimento de água potável, coleta e tratamento do esgoto, manejo dos resíduos sólidos e drenagem das águas pluviais – avançou muito em termos de abastecimento de água e coleta de esgoto. Diz o SAAE que a 95% da cidade. Mas, avançou pouco em termos de manejo dos resíduos sólidos e, menos ainda, na drenagem das águas de chuva. Um prato cheio para os adversários políticos em época de eleições municipais.

Um trabalho sério de avanço na drenagem das águas de chuva precisaria localizar todas as áreas alagáveis, fazer obras de drenagem que garantam o escoamento em tempos de chuva. Se não for possível, é preciso a relocação da população das áreas de risco, o que implica também numa política habitacional para a população relocada. Que a área das águas seja das águas. Essas ações implicam em planejamento técnico, humanitário, recursos financeiros e vontade política.

Será que algum candidato nessas eleições tem mesmo interesse em resolver esse desafio socioambiental da cidade?

A Inovação das Candidaturas Coletivas; por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O Filósofo e Sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez sobre as candidaturas coletivas.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro (BA) e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

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7 Soft Skills mais requisitadas pelo mercado

Quais são as suas Soft Skills? Talvez você tenha algumas e não sabe. Além disso, é bom saber que cada vez mais elas são requisitos para quem quer um lugar ao sol no mercado de trabalho.

São várias as Soft Skills, mas cada profissão, cada área de atuação, depende de algumas que são específicas para ela.

Saber quais são as Soft Skills mais requisitadas pelo mercado de trabalho, bem como ter condições de saber desenvolvê-las, é um aspecto importante na vida de qualquer profissional, independente de estar iniciando a carreira ou se já possui experiência.

Por essa razão, nesse artigo você vai saber quais são elas e com isso se preparar melhor para o mercado. Vamos lá?

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A LIBERDADE DE EXPRESSÃO… o novo artigo do professor Moisés Almeida

(Foto: arquivo)

Por Moisés Almeida, professor da UPE/Petrolina, Facape e Doutorando em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Há algum tempo escrevi um texto sobre os limites da liberdade de expressão, citando, inclusive, artigos do Código Penal brasileiro que prevê penalidades para o abuso de expressões e também de ações não coniventes com a convivência harmônica na sociedade. Intitulei o texto de “Canalhas, Canalhas, Canalhas”, devido a expressão está sendo muito utilizada para xingar políticos, personalidades e magistrados em diversas instâncias.

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Em busca da “sustentabilidade total”: Francisco propõe mais sete anos de Laudato Si’. Por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O Filósofo e Sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez ele aborda um documento do Papa Francisco para as questões socioambientais.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

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Todos perdem com a Pandemia? Artigo do professor Moisés Almeida

(Foto: Arquivo)

Por Moisés Almeida – Professor da UPE/Petrolina, Facape e Doutorando em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

TODOS PERDEM COM A PANDEMIA?

Tenho escutado frequentemente essa frase: “Todos estão perdendo com a pandemia”. Essa narrativa tem sido rotineira, numa tentativa de nivelar toda a sociedade. O discurso de que ricos e pobres estão na mesma situação se propaga e consegue adeptos em todo o planeta.

Na crise, seja ela em função de uma doença, de catástrofes ecológicas e até mesmo em situação de guerra, existem três tipos de categorias sociais: as que ganham, as que nem ganham e nem perdem e as que perdem. Então, não há como nivelar no mesmo patamar a sociedade, até porque a desigualdade existe e ela vem sendo cada vez mais escancarada com as sucessivas crises econômicas.

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De Mussolini a Bolsonaro: trabalhando com os porões da alma humana. Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

De Mussolini a Bolsonaro: trabalhando com os porões da alma humana.

Roberto Malvezzi (Gogó)*

– Io non ho creato il fascismo, l’ho tratto dall’inconscio degli italiani. Se non fosse stato così, non mi avrebbero seguito per venti anni (Mussolini) –

Em livre tradução pessoal: “não criei o fascismo, tirei-o do inconsciente dos italianos. Se não fosse assim, eles não teriam me seguido por vinte anos”.

Há um belo filme italiano – Estou de Volta – que diz respeito à ressurreição de Mussolini na Itália nos dias atuais. É uma metáfora do retorno do fascismo – e seus fascínios – nos dias de hoje na Itália carregada de negros, egípcios, latinos, do povo de saco cheio de tantos partidos, da classe política, da saudades de um comandante autoritário, enfim, de Benito Mussolini. Feito em tom de comédia e farsa, vai fundo na alma italiana saudosista de um ditador.

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Em artigo, Maurício Dias Cordeiro questiona onde está Juazeiro e fala sobre perca de identidade da cidade

O compositor Maurício Dias Cordeiro enviou ao nosso blog um artigo de interessante leitura. No texto, o artista de Juazeiro questiona a perca de identidade da cidade baiana que tanto contribuiu – e contribui – com a cultura brasileira.

Maurício fala sobre a saída de João Gilberto do município e faz uma crítica àqueles que desclassificam seus trabalhos sobre Juazeiro, o Rio São Francisco, João Gilberto e a “bossa nova”.

Confira o artigo completo

Estorvo!!

Hoje, 23 de agosto, estreia nacionalmente o filme do diretor Franco-suíço Georges Gachot, baseado no livro “Onde está você João Gilberto?” do jornalista alemão Marc Fischer.

João nasceu em Juazeiro, 1931, 87 anos. Continua recluso, avesso. Saiu de Juazeiro para revolucionar a música brasileira, influenciar o “jazz” americano e, ao lado de Tom Jobim, continua sendo o músico brasileiro mais respeitado no mundo até hoje.

A Juazeiro mágica dos tempos de João não existe mais? Ele saiu de vez aos 18 anos.

Com seus mais de 230 mil habitantes, Juazeiro hoje, pouco se interessa por seus valores históricos/humanos/culturais? Os poucos da resistência vivem, às vezes, ridicularizados no contexto da inversão de valores existenciais.

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O roubo da Flor da Cohab Massangano; por Eduardo Zanazi

O leitor Eduardo Zanani, Técnico de Suporte Ti, morador do Bairro Cohab Massangano, em Petrolina (PE), escreveu um artigo ao Blog Waldiney Passos, através do qual mostra sua indignação pelo roubo de uma planta, que ostentava uma bela flor no jardim da sua residência.

Para o leitor, roubar uma flor pode até ser romântico, mas arrancar uma planta com todas as suas raízes chega a ser ridículo.

Leia a íntegra do artigo

“Saindo hoje de casa, na Cohab Massangano, Rua 81 tive uma triste surpresa. Ao abrir o portão e sair de casa, senti um vazio, senti a falta de cor, de vida, de energia.

Olhei a minha volta, me deparei com um buraco no jardim de casa.

Jardim esse, que fica do lado de fora da nossa casa. O que havia acontecido lá?

Até onde vai a capacidade de contemplação do ser humano??? Ahhh… Realmente, isso não existe!!!

O que existe é a incapacidade de se deslumbrar com a natureza, que apesar de simples, é uma das mais belas criações de Deus…

Se fazem isso com uma inocente plantinha, como acreditar que podem se importar com o próximo???

Muitas pessoas, como esse pobre assaltante de plantas, fazem questão de serem: erradas, desonestas e corruptas. São pessoas invejosas, infelizes e mal amadas.

O recado que, pessoas assim nos deixam, é que tudo são provações e acrescento que não vamos deixar o mal nos destruir. Somos pessoas do bem e nossa missão é sempre continuar em frente, ajudando sem esperar que alguém nos ajude.

Vamos plantar outra flor, uma bem bonita que vai atrair muita paz e alegria pra vida daqueles que sabem contemplar a natureza. A plantinha roubada, infelizmente, não vai vingar e sabemos o porquê.

Somos guerreiros, trabalhadores, temos nossa consciência tranquila e somos felizes com o pouco que temos. E o pouco com Deus é muito. Sorria, a vida é bela.”

Atenciosamente,

Eduardo Zanazi

Técnico de Suporte Ti

Artigo: Lula nos livrou dos generais; por Roberto Malvezzi (Gogó)

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O julgamento do habeas corpus pedido pela defesa do ex-presidente Lula, no STF, para que o mesmo não fosse preso após os recursos esgotados em segunda instância, repercutiu em todo o mundo. O assunto também foi tema do novo artigo do filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, que traz como título Lula nos livrou dos generais.

Segue à íntegra do artigo.

Lula nos livrou dos generais 

Roberto Malvezzi (Gogó)

Lula nos livrou dos generais, ao menos por hora. Sua prisão sacia o rancor da classe média, o interesse dos empresários, a vingança da velha mídia (Globo, Folha, Veja, etc.), a ética hipócrita de juízes e promotores, principalmente, a honra dos generais.

Mas, o problema é que a questão não está resolvida, o golpe ainda não fechou. É preciso julgar o mérito dessa questão, isto é, se a prisão em segunda instância vai ser sempre automática ou vai depender do Supremo Tribunal Federal a última palavra, como está na Constituição. Então, o Supremo terá que decidir novamente sobre a questão.

Mais uma vez a mídia, uma parte dos juízes e promotores, a classe média e os generais vão pôr a espada no pescoço do Supremo, particularmente da ministra Rosa Weber, que tem suas convicções, mas não tem coragem de enfrentar essa turba. Parece que a questão será pautada para Setembro.

Na Quaresma, para nós cristãos, sempre volta aquela frase de Caifás: “é preciso que um só homem morra por todos” (João 11,45-46). Jesus era o bode expiatório da sede de rancor do povo e das autoridades de Israel, sobretudo, o pavor de perder ou dividir o poder. Pilatos vacila, tem até pena de condenar aquele inocente, mas, temendo o povo, o entrega para ser crucificado. Esse exemplo não serve apenas como metáfora, mas tem sua pertinência histórica, já que o bode expiatório veio antes de Jesus, tornou-se Nele “cordeiro de Deus”, mas segue pelos meandros da história.

E nosso povo? “Sangrado e ressangrado, capado e recapado” (Capistrano de Abreu) age sempre com pragmatismo. O silêncio muitas vezes é a arte da sobrevivência. A espera pelo tempo mais oportuno. As artimanhas para sobreviver, como dizia Paulo Freire. Nossos índios, negros e empobrecidos conhecem essa arte como ninguém, por isso estão vivos.

O povo sabe onde está o poder e engole a seco. Rumina.

Quanto a Lula, vai para a cadeia – vai saber por quanto tempo! -, mas, estará para sempre nos pesadelos de seus algozes e na perigosa memória do povo.

Artigo: exército, das favelas de Canudos para as favelas do Rio

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi (Gogó), mais conhecido como Gogó, divulgou novo artigo de sua autoria. Dessa vez, ele faz uma comparação entre a Guerra de Canudos, que aconteceu no interior da Bahia, com a intervenção do exército na cidade do Rio de Janeiro.

Roberto Malvezzi nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Atualmente reside em Juazeiro (BA) e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

Veja o artigo na íntegra.

Exército: das favelas de Canudos para as favelas do Rio

Roberto Malvezzi (Gogó)

Favela, poucos sabem, é uma árvore típica da Caatinga. Espécie absolutamente inteligente, adaptada ao clima semiárido, é dotada de muitos espinhos e um poderoso ácido que fazem sua defesa contra os predadores. Quem tocar numa favela, sai queimado.

Quando o Exército Brasileiro atacou Canudos, teve três fragorosas derrotas antes da batalha final em 1897. O espaço mais árduo para a conquista final foi o ‘Morro das Favelas” (Alto da Favela), um espaço permeado pela árvore urticante e um dos enfrentamentos mais hostis para os soldados.

Quando terminou a guerra, os soldados voltaram em grande parte para o Rio de Janeiro. Dispensados, sem soldos, sem emprego, foram morar nos morros do Rio, começando pelo Morro da Providência, a primeira favela do Rio. Então, para ligar a hostilidade das caatingas com a hostilidade do novo lugar de moradia, associaram a árvore ácida da caatinga com as condições de vida dos morros cariocas, as habitações precárias, também associada à ideia de lugar alto. Até hoje estão aí as favelas.

Soldados rasos e policiais normalmente vem das classes populares mais baixas. Literalmente, vão servir de “bucha de canhão” para serem guardiões do capital, em nome da pátria. Assim aconteceu com os soldados de Canudos.

Um general do Exército fez uma declaração esses dias exigindo, ao menos verbalmente, que os soldados que agora vão atacar as favelas do Rio de Janeiro, tenham poder de polícia e que não tenham responsabilidade penal pela eliminação de cidadãos. É uma declaração de guerra aos favelados do Rio.

Estima-se que o tráfico de drogas internacional movimenta cerca de 500 bilhões de dólares ao ano, grande parte circulando pelo ético e asséptico sistema bancário global. No Brasil, helicópteros, aviões, caminhões, muitas vezes transportando de 500 kg a toneladas de drogas, pegos em flagrante, jamais tem seus donos identificados, muito menos presos.

Então, vez em quando em nossa história o Exército Brasileiro cruza com as favelas e os favelados. Essa relação nunca foi amiga e nem de convívio. Mas, a história nos recorda que a primeira favela brasileira foi parida pelo nosso Exército.

Artigo: Violência, a parteira da história?

Roberto Malvezzi (Gogó).(Foto: CPT/arquivo)

O filósofo e sociólogo Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, divulgou um novo artigo de sua autoria. Dessa vez, ele aborda a violência.

Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo.

Chegou ao interior da Bahia em janeiro de 1979, para ficar um mês nas comunidades rurais de Campo Alegre de Lourdes, divisa com o Piauí. Era um trabalho organizado pela paróquia da cidade.

Casado, teve com sua esposa dois filhos e duas filhas, todos baianos. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na equipe da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco.

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Violência, a parteira da história?

– C. da Fraternidade 2018 –

Roberto Malvezzi (Gogó) 

Para Marx a violência é a parteira da história. É só por ela que o novo nasce.

Um cientista afirmou esses dias que a humanidade só conheceu a igualdade após períodos de grande violência, como a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que nessa guerra 47 milhões de pessoas perderam a vida, sendo 26 milhões de soviéticos.

Na natureza, principalmente na cadeia alimentar, os mais fortes devoram os mais fracos. Os jovens leões, quando conquistam o território dos leões mais velhos, lhes roubam as fêmeas e depois matam todos os filhotes do antigo rei do pedaço. É o “Struggle for Existence” (life) de Darwin. Malthus trouxe esse princípio para o convívio social.

O próprio Universo foi parido por explosões violentas e não é possível entender a formação do mundo sem ela. Os cientistas dizem que nós, os humanos, só estamos aqui porque o choque de um meteoro bloqueou a atmosfera por anos, eliminando a vida dos dinossauros, possibilitando que evoluíssem os mamíferos, portanto, chegando até nós.

Há quem pense que o Brasil, enquanto não conhecer um confronto sangrento, onde as mortes aconteçam aos milhares de ambas as partes, jamais será um país justo. Só assim a elite escravocrata, que continua no poder, passaria a respeitar o povo.

Entretanto, a violência mata 60 mil pessoas por ano no Brasil, a maioria jovens, desses a maioria negra, dessa a maioria do sexo masculino. É uma verdadeira assepsia social a cada ano para prevalecer os interesses dos escravocratas.

Estatísticas nos disseram esses dias que cinco brasileiros concentram a riqueza de mais de 100 milhões de compatriotas. Ainda mais, 1% de brasileiros concentra 81% da renda nacional, ficando os outros 205 milhões com a tarefa de dividir entre si os 19% da riqueza restante. Mesmo assim há quem defenda maior concentração de renda, de propriedade, de poder e que essa minoria seja cada vez mais defendida à bala. A violência estrutural é a mãe de todas as violências, já diziam os bispos católicos em 1968 em Medellin, Colômbia.

Na verdade, a violência é, sobretudo, o controle do poder. Um general estadunidense afirmou que o importante mesmo é o “complexo industrial-militar”. Os exércitos do mundo aqui encontram sua razão de ser. Em plena Campanha da Fraternidade o Exército Brasileiro ocupa o Rio de Janeiro e é apoiado pela classe dominante e a Igreja Católica local.

Mas, há uma outra linhagem histórica de luta pela paz. Muitos dos grandes pacifistas da humanidade morreram violentamente, não porque praticavam a violência, mas porque os violentos detestam a paz que é fruto da justiça. Jesus, Gandhi, Luther King, Chico Mendes, Dorothy Stang, todos foram vitimados por defenderem a paz e a justiça. Mas, eles e elas nos ensinam que ser pacifista nunca foi ser conivente ou omisso diante da violência estrutural e pontual. Denunciaram essas situações a tal ponto de terem suas vidas sacrificadas pela paz.

Espero que nossas comunidades e grande parte da sociedade brasileira sejam capazes de ir fundo no debate sobre a violência nesse violento Brasil, particularmente em 2018, onde a violência declarada quer ocupar o poder central.

Não podemos perder de vista o “golpe” – e todos os golpistas –  que deu sequência a esse Brasil violento que vem desde nossas origens.

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