Mulheres cobram mais investimentos na Maternidade de Juazeiro

Manifestação foi realizada em frente ao Paço Municipal (Foto: Cortesia)

Um grupo de mulheres se uniu em um protesto pacífico, em frente a Paço Municipal de Juazeiro (BA), na manhã dessa sexta-feira (18). Elas cobram mais investimentos na saúde pública, especialmente no Hospital Materno Infantil.

Muitas delas perderam seus filhos enquanto eram pacientes na unidade. Com o grito de socorro, essas mães querem evitar que outras gestantes passem pelo trauma de ver os filhos nascerem e morrerem pouco depois, diante o descaso na maternidade.

O caso mais recente é de Géssica Ferreira. Ela estava grávida e precisou dar à luz no chão da Maternidade. O bebê de Géssica morreu três dias depois, pela falta de uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal. O caso ganhou repercussão na Bahia. Nessa semana o Ministério Público (MP-BA) determinou que a Prefeitura realize reformas e aquisição de novos equipamentos.

Maternidade Municipal de Juazeiro registra morte de bebê e emite nota de pesar

A direção afirma que medidas foram tomadas e mais ações serão somadas no intuito de fortalecer a nossa instituição. (Foto: Internet)

Nesta sexta-feira (1) a Direção da Maternidade Municipal de Juazeiro, emitiu uma nota de pesar, lamentando a morte de um bebê na quinta-feira (31). Ainda na nota, a maternidade afirma que medidas serão tomadas diante da fatalidade.

Veja nota na íntegra:

“A Direção da Maternidade Municipal de Juazeiro baseada no princípio do controle social e respeitando o princípio da transparência que norteia as nossas ações comunica que ocorreu um óbito perinatal no plantão desta quinta-feira durante o dia, em 31 de agosto.

Registramos aqui que antes de tudo nos solidarizamos e nos colocamos à disposição da família neste momento de pesar.

Ressaltamos que o fato relatado ou episódios semelhantes jamais serão encarados como dado estatístico, “mais um número” ou uma “fatalidade”, haja vista envolverem pessoas em um momento especial das suas vidas e que tem um desfecho trágico em relação ao planejamento que é feito para todo e qualquer nascimento.

Ressaltamos também, que assim como para os casos recentemente noticiados na mídia, medidas foram tomadas e mais ações serão somadas no intuito de fortalecer a nossa instituição:

– Profissionais envolvidos e responsabilizados passarão por requalificação ou serão afastados- comprovada imperícia no exercício das suas atribuições;
– Ampliação das equipes de Enfermeiros e Médicos Obstetras;
– Readequação do Centro Cirúrgico da Maternidade;
– Treinamento em serviço com atualização e discussão do Protocolo da Maternidade;
– Ações integrativas com a Atenção Básica, aproximando a maternidade das equipes da Estratégia de Saúde da Família e fortalecendo a potencialidade do pré-natal na identificação dos problemas que podem contribuir para o resultado desfavorável na gestação e no parto;
– Lançamento do Programa Mãe Sertaneja, estimulando a integralidade e a promoção à Saúde no Pré-natal e nos primeiros anos da infância.

Estas e outras ações estão sendo executadas de modo a tentarmos readequar a Maternidade ao desafio de mantermos um serviço custeado com recursos próprios do município, porém, que tem atendido a toda uma região que abrange 53 cidades, com atuação verdadeiramente regional para o Vale do São Francisco.

Lembramos que a Maternidade é uma verdadeira conquista e um patrimônio das famílias de Juazeiro, sendo esta luta de todos, já que não deveria haver lados distintos quando queremos a mesma coisa: um sistema de saúde digno da grandeza da nossa gente”.

Maternidade de Petrolina deixa de funcionar e causa transtornos na maternidade de Juazeiro

(Foto: SESAU)

Durante a manhã de hoje (22), o Secretário de Saúde de Juazeiro (BA), Plínio Amorim reuniu a imprensa para falar sobre os transtornos causados na Maternidade de Juazeiro, devido ao fechamento da maternidade de Petrolina.

Segundo informações divulgadas, o impacto da superlotação da maternidade desde o último dia 16 de dezembro com o fechamento do Hospital Dom Malan para os atendimentos de baixa e média complexidade nas áreas de pediatria, já ultrapassando os 40% e a obstetrícia os 60% do atendimento na unidade.

Ainda de acordo com Plínio Amorim, existe uma preocupação do município para atender essa alta demanda inesperada. ” O hospital Dom Malan tem sido parceiro, porém a nossa maternidade não tem condições de fazer todos os atendimentos. Já existe uma demanda muito alta, pois atendemos 53 municípios”, explicou o secretário.

A ocasião, o secretário de saúde falou que já buscou ajuda ao Ministério Público para resolver o mais rápido possível essa situação.

” Recorremos com uma representação junto ao nosso jurídico no Ministério Público para que possa ser solucionada o mais rápido possível essa problemática. Esse problema é emergente, pois estamos lidando com vidas e temos o compromisso de oferecer um atendimento de qualidade ao nosso usuário”.

A diretora da unidade, Fabíola Ribeiro, apresentou um levantamento com dados dos atendimentos que chegam a ter um aumento de mais de 50%.
“Nossa média de partos era 250 por mês em 2010, agora temos 412 partos por mês, um aumento de 57% num intervalo de seis dias o que causa grande impacto para o município. Nossa preocupação é com a assistência à população, porque estamos ultrapassando nossa capacidade”, informou Fabíola.