Relatório do Ibama não indica contaminação do São Francisco por rejeitos de Brumadinho

Segundo Ibama, ainda não é possível saber quando lama de rejeitos atingirá bacia (Foto: Léo Boi)

A Fundação SOS Mata Atlântica havia informado na semana passada que o Rio São Francisco já está contaminado com rejeitos da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Entretanto, em um relatório divulgado na quarta-feira (27) o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou a contaminação.

O documento foi elaborado em parceria com o Instituto Federal de Florestas (IEF), tendo como base dados coletados pelo Instituto Mineiro de Águas (Igam), principal órgão monitorador do desastre ocorrido em 25 de janeiro.

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Segundo o Ibama, “até o momento, os dados oficiais de qualidade de água não indicam que os rejeitos atingiram o trecho do rio Paraopeba a jusante da UHE de Retiro baixo, portanto também não atingiram o reservatório da UHE de Três Marias e o rio São Francisco”.

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Apesar de criticada, ação pioneira da Comissão Parlamentar de Petrolina apresenta resultados positivos na luta em defesa do Rio São Francisco

Cristina Costa e Ronaldo Cancão em visita à Câmara Municipal de Belo Horizonte. (Foto: Ascom)

A Comissão Parlamentar da Câmara de Petrolina (PE) deu um exemplo para o Brasil, ao pressionar o Governo de Minas Gerais para adoção de medidas urgentes em defesa do Rio São Francisco e seus afluentes, após o rompimento da barragem da Vale de Brumadinho, que atinge diretamente o Rio da Integração Nacional. Os vereadores que compunham a Comissão foram pessoalmente cobrar dos Governos do Estado Mineiro e Federal a responsabilização da Empresa Vale do Rio Doce pelo desastre que acometeu milhares de famílias e fez quase 200 vítimas fatais.

Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda (25), na Casa Plínio Amorim, os vereadores apresentaram o relatório da viagem, uma missão positiva que está sendo copiada por vários legislativos municipais e estaduais das áreas banhadas pelo rio e que sofrerão as consequências dos rejeitos minerais em função do rompimento da barragem.

Segundo o propositor da Comissão, vereador Gabriel Menezes, a Câmara de Petrolina é a única do Nordeste que se se organizou e enviou uma comissão para verificar in loco os prejuízos causado pelo rompimento da barragem. Durante a coletiva, ele foi contra às críticas recebidas pela missão dos parlamentares.

“Queremos defender o Rio São Francisco pela importância que ele tem para todos nós, seja para abastecimento humano ou para a fruticultura irrigada. Nossa região vive em função das águas do Velho Chico e o que a gente nota é uma distorção muito grande por uma parcela pequena da mídia, com sensacionalismo, que não emite ao seu público a verdadeira intenção da visita à região para avaliar de perto a situação, que é camuflada principalmente pela empresa responsável por essa catástrofe”.        

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Relatório afirma que rio São Francisco está contaminado com rejeitos de Brumadinho

(Foto: Renê Cordeiro/Arquivo Pessoal)

O que o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) previa no mês passado se concretizou. Em relatório apresentado hoje (22), a Fundação SOS Mata Atlântica afirmou que os rejeitos da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) atingiram o rio São Francisco.

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Equipes estiveram em Brumadinho e no Alto São Francisco entre os dias 8 e 14 desse mês para verificar a presença de rejeitos. Dos 12 pontos analisados, nove estavam com condição ruim e três regular, o que torna o trecho a  partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para usos da população.

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Vereadores de Petrolina vão a Brumadinho em busca de informações sobre poluição do Rio São Francisco

(Foto: Whasington Alves/AFP Photo)

A Câmara de Vereadores de Petrolina designou uma comissão de parlamentares para ir a Brumadinho (MG) colher informações sobre a possibilidade de poluição das águas do Rio São Francisco após o rompimento da barragem de rejeitos, que atingiu o Rio Paraopeba, um dos principais afluentes do Velho Chico.

A comissão, instituída pelo presidente da Casa Legislativa, Osório Siqueira, é formada pelos vereadores Ronaldo Silva (PSDB) e Cristina Costa (PT). Os parlamentares seguiram para a cidade nesta segunda-feira (18).

Parque Fluvial: prefeitura de Juazeiro realiza oficina sobre educação ambiental em passeio pelo Rio São Francisco

(Foto: Ascom PMJ)

A Prefeitura de Juazeiro (BA), através da Secretaria de Obras e Desenvolvimento Urbano (SEDUR), realiza, nesta sexta-feira (15), mais uma oficina da Meta 1 do Parque Fluvial, etapa voltada para a educação ambiental. Dessa vez, os participantes terão a oportunidade de contemplar a obra por outro ângulo, navegando pelo Rio São Francisco, em um passeio de barco por toda a extensão do Parque. A ação é gratuita e a saída está prevista para as 8h, na descida das barcas, na Orla da cidade.

Com o tema ‘Ação para conscientização de acessibilidade e mobilidade física’, a oficina tem como objetivo discutir o projeto de revitalização da Orla junto com a população, especialmente as pessoas com deficiência e os idosos. “Nós estamos fazendo um processo de construção coletiva. Assim como já ouvimos os skatistas e as pessoas que utilizam as quadras de futebol da Orla para adequar esses espaços, agora vamos conversar sobre acessibilidade e posteriormente adaptar a obra às necessidades daqueles que têm a mobilidade reduzida”, revela a diretora social da SEDUR, Graciele Gomes.

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Governo de Minas Gerais intensifica monitoramento da qualidade de água do rio Paraopeba

(Fotos: Sisema/Divulgação)

Desde o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) em 25 de janeiro o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) monitora a qualidade da água do rio Paraopeba, principal atingido pelos rejeitos da Mina Córrego de Feijão. Na semana passada o Igam intensificou o monitoramento, dessa vez em áreas próximas ao rio São Francisco.

Quatro estações de amostragem foram criadas, somando 24 existentes. Segundo o Igam, a “ampliação vai aprimorar o acompanhamento dos parâmetros de qualidade feito pelo Instituto em pontos mais a jusante do local do rompimento da Barragem 1, da Vale, em Brumadinho”.

Três das novas estações de amostragem foram instaladas dentro do reservatório da Usina Hidrelétrica (UTE) de Três Marias, nos municípios de Felixlândia, Abaeté e Três Marias. “Existe a possibilidade de que parte do material que estava depositado na Barragem 1 possa alcançar o reservatório de Três Marias, sobretudo as partículas mais finas do rejeito. Entretanto não é possível afirmar se irá chegar e quando isso vai ocorrer. Tudo vai depender da dinâmica de transporte de sedimentos do rio, que varia de acordo com a quantidade e intensidade de chuva, tempo de detenção do reservatório de Retiro Baixo e da granulometria do rejeito”, afirma o diretor de Operações e Eventos Críticos do Igam, Heitor Soares Moreira. Com informações do Igam.

Juazeiro: movimentos sociais realizam ato em apoio a vítimas de Brumadinho

(Foto: MAB Bahia/Reprodução)

Hoje (25) o rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) completa um mês e em todo país instituições fazem atos públicos em solidariedade aos atingidos pela lama de rejeitos. Em Juazeiro, um grupo percorre as ruas do Centro até chegar na Orla II.

Os manifestantes saíram da Praça Dedé Caxias chamando atenção de juazeirenses e petrolinenses sobre o iminente risco de o rio São Francisco ser atingido pelos rejeitos. Nesse momento o grupo se dirige ao Vaporzinho onde um ato inter-religioso será realizado em memória às vítimas.

Além do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), o Ato em solidariedade às vítimas de Brumadinho e em defesa do Rio São Francisco conta com organização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), CPP e a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).

Univasf promove debate sobre chegada de rejeitos de Brumadinho ao Velho Chico

(Foto: Arquivo)

“Rio São Francisco: Causas e Desdobramentos do Rompimento da Barragem de Brumadinho/MG” é o tema de um debate promovido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), logo mais às 19h, no campus de Petrolina.

O encontro é aberto ao público e acontecerá no auditório da biblioteca no campus sede. A iniciativa é promovida pelo Diretório Acadêmico (DA) de Ciências Biológicas, com apoio das Pró-Reitorias de Ensino (Proen) e de Extensão (Proex) da Univasf, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Frente Brasil Popular.

A intenção do encontro é chamar a atenção da sociedade da região do Vale do São Francisco para as consequências do rompimento da barragem de Brumadinho. Haverá emissão de certificados aos participantes. Entre os integrantes da mesa está o reitor Julianeli Tolentino, que também é integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF).

Alepe cria comissão para monitorar situação do Velho Chico

(Foto: Reprodução/Ministério da Integração Nacional)

Os deputados estaduais de Pernambuco instauraram a Frente Parlamentar em Defesa do Rio São Francisco, com a intenção de monitorar os impactos negativos com a chegada dos rejeitos da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

A Frente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) fará audiências públicas, visitas técnicas e produzirá relatórios sobre a situação. Na semana passada o Blog Waldiney Passos conversou com o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda e ele foi categórico ao afirmar que o Velho Chico sofrerá impactos.

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Isso porque os rejeitos de Brumadinho atingiram o rio Paraopeba e a pluma se encaminha a Três Marias, já na bacia do São Francisco. A Frente tem como coordenador-geral Lucas Ramos (PSB), que se encontrará com a comissão da Câmara dos Deputados.

A intenção da Alepe é promover debates também na Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba e Ceará, por onde o rio São Francisco passa. A pluma de rejeitos é monitorada pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM) com apoio da Agência Nacional de Águas (ANA).

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Rompimento de Barragem no dia 25 deixou rio Paraopeba morto, Três Marias está no caminho dos rejeitos (Foto: Washington Alves/AFP Photo)

O rompimento da barragem de Brumadinho (MG) no dia 25 de janeiro provocou comoção nacional, pelo número de mortos, bem como das perdas materiais e ambientais. Os rejeitos minerais deixaram o estado mineiro em alerta, repercutindo também nos sertanejos banhados pelo rio São Francisco.

Desde o rompimento, órgãos estaduais e federais fazem o monitoramento da pluma de rejeitos. Segundo o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo de Miranda, é inevitável que o Velho Chico seja atingido. Ele conversou com exclusividade com o Blog Waldiney Passos por telefone e fez um alerta.

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“A pluma está em evolução, segundo as primeiras informações de prognóstico a pluma chegaria no lago de Três Marias, que já é São Francisco entre os dias 15 e 20 desse mês. Ainda não chegou, ela está se aproximando. A última barreira das águas do Paraopeba atinjam Três Marias é o reservatório de Retiro Baixo, já está na entrada dessas águas. Em algum momento essa água atingirá Três Marias, ai serão necessárias análises dessa água”, explicou Anivaldo.

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Segundo a ANA, no momento não é possível afirmar se os rejeitos da barragem de Brumadinho irão atingir o reservatório de Três Marias. (Foto: Divulgação/Codevasf)

A Barragem I da mina Córrego do Feijão, rompida no último dia 25 de janeiro de 2019, está localizada em Brumadinho (MG), em um córrego afluente ao rio Paraopeba, que, por sua vez, deságua no rio São Francisco no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, localizado a 331 km da barragem rompida.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), nesta quinta-feira (7), o ponto mais a vazante do rio Paraopeba onde foram identificadas alterações do parâmetro turbidez se localiza no município de São José da Varginha (MG). Este local se encontra a cerca de 200 km do início do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Três Marias. Entretanto, essas alterações se mostram ainda pequenas e dentro da faixa de valores usuais para o período.

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Vale ressaltar, ainda, que a ausência de precipitações significativas nos primeiros dias após o rompimento da barragem de Brumadinho colaborou para a baixa velocidade de propagação da frente de sedimentos e para sua deposição no leito do rio.

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Cícero Freire cobra ações do Estado e União para evitar chegada de rejeitos de Brumadinho ao Velho Chico

Edil cobrou ações do Estado e União (Foto: Blog Waldiney Passos)

A segunda sessão legislativa em Petrolina acontece logo mais, às 9h na Câmara de Vereadores. Nessa quinta-feira (7) não há projetos em pauta, mas os edis analisarão 16 Indicações e 1 Requerimento. Este último apresentado pelo vereador Cícero Freire (PR) ao governador de Pernambuco.

No Requerimento nº 012/2019 o edil solicita a Paulo Câmara (PSB) que interceda junto ao Governo Federal para que seja instalado em urgência urgentíssima telas de contenção dos rejeitos do rio Paraopeba, atingido após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Os rejeitos devem atingir o rio São Francisco em breve e para o edil é importante que providências sejam tomadas o quanto antes. Sem projetos na ordem do dia o uso da palavra será facultado aos vereadores da Casa Plínio Amorim.

Miguel Coelho acredita que ações devem evitar que rejeitos de Brumadinho atinjam São Francisco

Animais e seres humanos continuam sob lama desde sexta-feira (Foto: Rodney Costa/Getty Images)

Presente na audiência sobre o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) nessa terça-feira (29), o prefeito Miguel Coelho comentou a situação de Brumadinho (MG) e se disse preocupado com uma possível chegada dos rejeitos ao rio São Francisco, mas afirmou que a situação vem sendo monitorada.

“A gente está preocupado sim, mas tanto a Defesa Civil Municipal quanto a do Estado têm monitorado [a situação]. A gente tem mantido contato com a Defesa Civil da Bahia também, porque se chega aqui, chega na Bahia antes, para que a gente possa tomar todas as medidas”, informou.

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Segundo o prefeito, as informações federais e estaduais indicam que a possibilidade dos rejeitos atingiram o Velho Chico é pequena. “[As ações são para] que esse sedimento possa ficar contido já na barragem de Baixo Retiro, a primeira antes de chegar em Três Marias e caso chegue em Três Marias eles já estão preparados em fechar a barragem, exatamente para evitar que contamine o São Francisco”, destacou à imprensa local.

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Pesquisadores temem que produtos tóxicos eventualmente despejados no rio sejam carregados até áreas produtivas. (Foto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional)

Pesquisadores da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) temem que os efeitos do desastre ocorrido em Brumadinho (MG) afetem a população pernambuco. O grupo está realizando um estudo emergencial a partir de imagens de satélites para descobrir o alcance de uma provável contaminação da bacia do Rio São Francisco.

O responsável pelo estudo e pós-doutor em risco de desastres pela Universidade de Buenos Aires (Argentina), Neison Freire, está avaliando os volumes em quilômetros quadrados e a velocidade de movimentação da lama. “Teremos a extensão da área de contaminação até determinada data. Saberemos se haverá possibilidade de atingir a bacia do São Francisco. Se houver contaminação lá, com certeza sentiremos aqui. Fatalmente o rio será contaminado. Procuramos agora o nível de contaminação. Mais cedo ou mais tarde isso chegará à foz, em Piaçabuçu, Alagoas”, explicou o pesquisador.

Em Pernambuco, Neison demonstra preocupação especialmente com a produção frutiovinocultura (consorciação de fruteiras com criação de ovinos) de Petrolina. “Os elementos dessa vez são mais pesados que os da barragem de Mariana, rompida em 2015. Por isso temos mais energia cinética (que dá velocidade à lama) e mais poder de destruição”, avalia.

“Se for detectado metal pesado nos melões ou nas mangas produzidas em Petrolina, sem dúvida as exportações para a Europa serão afetadas. O problema vai do pescador, do pequeno produtor, até o grande latifundiário. Falamos de um rio que já é muito sofrido. Pela contaminação por esgoto, desmatamento, assoreamento”, ressalta o pesquisador.

O problema, contudo, não é a lama em si, mas os elementos químicos que se misturam na água, segundo o doutor em Oceanografia Biológica pela Universidade de São Paulo Clemente Coelho. “Não veremos a parte física, aquela lama, mas sentiremos a partir do material diluído na água. E, mesmo se toda a lama fosse contida agora, esse material chegaria até o litoral através da cadeia de fauna e flora do rio São Francisco.

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Especialista afirma que “rejeitos da barragem da Vale chegarão ao Rio São Francisco”

Bombeiros buscam vítimas em Brumadinho. (Foto: Whasington Alves/AFP Photo)

O geólogo e professor doutor em Geografia Física da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeovah Meireles, afirmou, nesse domingo (27), em entrevista à Agência Eco Nordeste, que os rejeitos de minério de ferro da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho (MG), “chegarão até a Bacia do Rio São Francisco de qualquer forma”.

A barragem, que pertence à mineradora brasileira Vale, rompeu no início da tarde desta sexta-feira (25), deixando, a princípio, 58 mortos e 305 desaparecidos, casas soterradas, além de destruição da fauna e da flora da região. Outra 192 pessoas foram resgatadas com vida. Um ônibus foi encontrado na noite desse domingo com vários corpos.

“A lama contaminada com minério de ferro já atingiu o Rio Paraopeba, que deságua no Rio São Francisco. Então, mesmo que eles tentem conter o seguimento da lama de rejeitos na barragem da Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, quando houver precipitações acima da média na região, a barragem vai precisar sangrar e os rejeitos vão sair misturados à água. E essa água vai seguir o fluxo do rio, que deságua no São Francisco e em outros, até chegar ao mar. A contaminação irá se espalhar”, explica o professor. 

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