Alepe poderá criar regras para pega de boi no mato em Pernambuco

Pega de boi 1

A tradicional cultura dos vaqueiros por meio da pega de boi no mato no sertão, pode ter regras definidas pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com o objetivo de que os animais não passem mais por maus-tratos. A ideia está em um projeto de Lei do deputado Rodrigo Novaes (PSD) que está em tramitação na Casa e passará por quatro comissões antes de ser levado ao plenário para votação. Pela proposta, qualquer maldade proposital aos animais que participem do esporte podem acarretar a responsabilização civil e criminal daquele relacionado à ocorrência.

O texto apresenta regras como a proibição para que animais com sangramentos participem dos eventos, assim como bois com chifres pontiagudos, que possam ferir competidores ou cavalos. Também não poderão ser utilizados arreios que causem danos à saúde do animal. Os bovinos também teriam que ser transportados adequadamente, acomodados em locais amplos, com água, sombra e alimentação.

Já para os competidores, há exigências como o uso do gibão, perneira, guarda-peito e toda a indumentária dos vaqueiros. Também não é permitido usar objetos cortantes ou de choque para lidar com os animais no curral.

Também não seria permitido açoitar os cavalos após a competição. O vaqueiro que ferir os animais podem ser imediatamente desclassificados da prova. Os organizadores também precisam manter uma equipe responsável pelos primeiros socorros nos locais de realização das provas.

O projeto também torna obrigatório a presença de um médico veterinário no evento para acompanhar bois e cavalos. Verificações devem ser feitas antes e depois de cada participação, podendo vetar a participação de animais. O acesso de veterinários da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado (Adragro) também é garantido, mesmo que a organização do evento já tenha profissionais à disposição.

Por fim, o texto disciplina que eventos musicais podem ser feitos simultaneamente à pega do boi, desde que não sejam utilizados sons de carro ou paredões de som na área dos animais, ficando restrito a locais apropriados.

“Muito comum no sertão e algumas cidades do agreste, a pega de boi no mato é uma realidade que perdura até os dias atuais e que vem crescendo com o passar dos anos. Famílias inteiras se envolvem com a organização desses eventos, que geram centenas de empregos diretos e indiretos”, afirma o deputado, na Justificativa do texto.

“Portanto, é essencial que seja feita a regulamentação da pega de boi no mato enquanto atividade desportiva e cultural, tendo a finalidade de visar a garantia de segurança dos participantes e institui medidas de combate aos maus tratos dos animais. Deve-se ter em vista, o importante valor histórico, social e econômico que esses eventos representam”, completa ainda.

Com informações do JC

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