Fotógrafo registra dias melancólicos de Dilma no Palácio do Planalto

 

Dilma desce a rampa interna do Planalto/Foto:Orlando Brito

Dilma desce a rampa interna do Planalto/Foto:Orlando Brito

Fotógrafo com experiência de décadas registrando o poder em Brasília, em 2002 Orlando Brito publicou um livro famoso: Poder – Glória e Solidão. São imagens do início ao fim do mandato de cada presidente, de 1966 até 2001, com Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os ciclos se repetem: no início, o entorno dos presidentes é abarrotado de gente e os finais, sempre de um vazio solitário e melancólico.

Hoje tudo se repete no Planalto. É o fim da Era PT, 14 anos desde a publicação do livro, após os governos de um presidente Lula que foi o mais popular da história. E uma presidente que foi a mais impopular.

A presidente Dilma Rousseff (PT) deve ser afastada por 180 dias na próxima quarta (11), como avalia a própria base do governo. Claro, em tese ela pode voltar, pois o final do impeachment será em alguns meses. Mas além da dificuldade política dessa volta de fato ocorrer, semana passada Orlando Brito, acostumado aos ciclos de início e fim de cada governo, já identificou o mesmo padrão novamente. O fotógrafo registrou as primeiras imagens em um ensaio batizado por ele de Melancólica Atmosfera Palaciana, imagens que mostram esse clima de fim de ciclo no Planalto.

Orlando adianta que publicará novo livro: Poder, vitórias e derrotas – de Castelo a Rousseff. Vai abranger a Ditadura Militar, Diretas Já e todos os presidentes de Collor até Dilma.

A VELOCIDADE DO ESVAZIAMENTO

Orlando clicou seu primeiro presidente, o general Castelo Branco, ainda adolescente de 15 anos, em 1965. Com acesso tão direto ao poder, e tantos presidentes fotografados, com os anos ele se daria conta do valor histórico de seu trabalho como fotógrafo de notícias. “Tomei a decisão de que não ia me preocupar com a revista, o jornal do dia, o blog de daqui a uma hora. Meu compromisso é com a história”, afirma.

Com tanto tempo de atuação, Orlando acompanhou o impeachment do então presidente Fernando Collor e, no aspecto político, não vê semelhança no processo enfrentado por ambos. “Não consigo estabelecer comparação entre os dois”, afirma. “No caso de Collor, havia certa unanimidade nacional. Hoje não, a questão tornou-se muito ideológica”, avalia.

Mesmo assim, ele diz ter ficado impressionado com a velocidade com que o Palácio do Planalto ficou vazio com Dilma, na última semana. “Nem com Collor”, diz. E cita exemplos, como uma cerimônia preparada para falar da política indígena – mas os índios não foram.

Na antessala da Presidência, pouca gente à espera de uma audiência, apenas dois deputados. E na sexta (6), em cerimônia do Minha Casa, Minha Vida, só havia um ministro com Dilma, de 39. Metade das cadeiras do evento foi retirada por falta de gente e os garçons estavam sentados, porque havia mais garçons disponíveis do que o necessário para atender a baixa quantidade de gente que foi. Além disso, conta, até o rapaz da correspondência, no segundo andar do Planalto, onde fica a Presidência, não sabia a quem entregar cartas.

“É muito dolorido”, descreve. “É estarrecedor como uma Era de 14 anos termina em uma semana”, afirma.

Com informações do JC Online

 

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