Lideranças religiosas reafirmam respeito à diversidade em audiência pública da Comissão de Cidadania

Em audiência pública os representantes religiosos chamaram atenção para a atualidade do tema, e posicionaram-se em favor de garantias à liberdade individual de culto. (Foto: Alepe)

Em audiência pública os representantes religiosos chamaram atenção para a atualidade do tema, e posicionaram-se em favor de garantias à liberdade individual de culto. (Foto: Alepe)

Religiosos em defesa do Estado laico manifestaram-se pela tolerância, nesta sexta (11), na Assembleia Legislativa. Em audiência pública na Comissão de Cidadania, membros do Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco (Fórum Diálogos) chamaram atenção para a atualidade do tema, e posicionaram-se em favor de garantias à liberdade individual de culto.

A ocasião marcou os quatro anos de fundação da entidade, que reúne quinze comunidades confessionais. Articulador do grupo, o promotor de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público de Pernambuco Westei Conde avaliou que o atual momento político sugere o crescimento de fundamentalismos, daí a necessidade de reafirmar compromissos com a laicidade do Estado. “É um cenário preocupante no que diz respeito à observância dos direitos humanos”, disse.

Budista, Sandro Câmara defendeu o diálogo inter-religioso enquanto busca para a criação de possibilidades para que todas as pessoas sejam capazes de contribuir com a sociedade. “Cada pessoa tem uma importância intrínseca e todos têm algo valioso para compartilhar. Deveríamos apreciar os talentos que os outros nos oferecem porque a sociedade precisa de soluções vindas de todas as partes”, sublinhou.

Representante da fé Bahá’í, crença de origem persa, Simin Jalali Rabbani considerou que somente a compreensão mútua é capaz de promover a paz, a justiça e o respeito aos direitos humanos, enquanto o racismo “agrava incontáveis sofrimentos e perpetua violações ultrajantes”. “Somos frutos da mesma árvore, folhas do mesmo ramo”, discursou.

A ialorixá Mãe Elza de Iemanjá também apontou o racismo como origem das ofensas à liberdade de crença. “Nossos filhos não querem ser negros, não podem tocar tambor, não podem falar em iorubá”, protestou. “Não dá pra compreender que em um país laico só haja um Deus, que só exista um caminho possível para chegar a Deus e que só se possa orar de uma única forma”, protestou.

Para o coordenador do Observatório Transdisciplinar das Religiões, da Universidade Católica de Pernambuco, Gilbraz Aragão, diferentes crenças podem unir as pessoas em torno do respeito mútuo. “Diante da aventura de nosso tempo, as religiões ficam desafiadas a combater a intolerância e a promover o diálogo. Contra discursos hostis, devemos evocar a laicidade e o pluralismo. É tempo de ensaiarmos cirandas com sons diferentes para sonhos iguais”, anotou.

Na opinião do presidente da Comissão de Cidadania, deputado Edilson Silva (PSOL), o ambiente político têm representado dificuldades para o entendimento entre as várias fés dentro das instituições públicas. “Isso tem a ver com a dificuldade de segmentos em tratar o Estado enquanto laico. Isso nos obriga a fazer mais regulares os espaços como este, que promovem a diversidade humana, religiosa e étnica”, analisou.

Avaliação parecida sustentou a deputada Teresa Leitão (PT), que presidiu o debate. Para a parlamentar, são muitos os limites institucionais para a atuação das minorias religiosas. “Por isso temos de buscar alternativas para somar forças e construir unidades em torno da pluralidade. Isso é importante no plano político e mais ainda no plano religioso. A fé é a afirmação primeira da liberdade, e precisa ser respeitada e assegurada”, concluiu.

Deixe uma resposta