O que as suas esperas dizem sobre você

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Todo mundo odeia esperar. Filas, então, nem se fala. Tempo perdido é só a ponta do iceberg do sentimento que nos aflige quando estamos ali, imóveis, esperando por algo que vai acontecer. Não tem livro, celular ou fofoca com as amigas que faça diminuir a sensação de impotência perante a necessidade da espera.

Então por que esperamos tanto?

Esperamos que um grande amor bata a porta ou nos invada pela janela. Queremos que ele surja assim, do nada, sem avisar. Sem que a gente precise sair de casa, sem que tenhamos que ter paciência para conhecer várias pessoas que não nos causam nada para dar a chance também para aquela pessoa que vai mudar tudo.

Esperamos que o grande amor das nossas vidas venha com etiqueta, uma placa de néon ou, no mínimo, que ele se apresente diretamente: “oi, eu sou por quem você tanto esperou”. Não queremos ter dúvidas. Esperamos que o amor seja repleto de certezas, sem percebermos que é a construção delas que faz a vida valer a pena.

Esperamos ser descobertos. Queremos que o mundo saiba que somos competentes e talentosos naquilo que fazemos. Uma gravadora vai achar nosso som num site lado B, uma editora vai hackear nosso computador e encontrar os textos que não publicamos por vergonha, o headhunter vai descobrir sozinho que os nossos projetos deram certo e vai nos procurar com uma vaga de emprego com o salário perfeito. Não esperamos apenas o reconhecimento, mas esperamos que ele seja sem esforço, sem persistência, sem começo.

Esperamos emagrecer como se as nossas pernas fossem grudadas no sofá de maneira eterna. Esperamos fazer amigos e não queremos nos esforçar em sorrir. Esperamos ser inteligentes com preguiça de ler um livro. Esperamos meditar sem desligar o celular.

Pelo que esperamos se as coisas não caem do céu? Sorte não é a resposta. A sorte é um dos polos de um ímã que atrai o esforço e repulsa a espera.
Muita gente acha que esperar é a falta de decisão. Mas é uma opção. E cada um sofre as conseqüências das escolhas que faz. Ou pensa fazer.

Marina Melz – Blog EOH

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