Primeiro de maio, dia de luta de todos (as) trabalhadores (as)

(Foto: arquivo pessoal)

Por Moisés Almeida – Professor da UPE/Petrolina e Doutorando em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Infelizmente o servidor público vem ao longo dos últimos anos sendo atacado. Os direitos conquistados com muita luta estão sendo questionados e até mesmo retirados, como se fossem regalias. A narrativa tão bem construída tenta criar um conflito entre a classe trabalhadora, parametrizando as atividades no mundo do trabalho entre o setor privado e setor público. É isso que se escuta por aí: “O trabalhador do setor privado trabalha e o trabalhador do setor público enrola”. Ouvimos todos os dias que “se você não quer trabalhar, passe num concurso público”. Esse tipo de narrativa tem colaborado para que os direitos conquistados sejam cada vez mais atacados.

Vejamos a situação dos docentes da educação básica que são acusados de “doutrinar” seus alunos através do projeto “escola sem partido”. Essa estratégia da classe dominante representa também um ataque ao trabalhador(a) da educação. Os docentes do ensino superior estão sendo chamados de “esquerdopatas” e as ciências humanas sendo tratadas como lixo na sociedade. Cada vez mais vem diminuindo o mercado de trabalho para profissionais em educação, como por exemplo, da Geografia, da História, da Sociologia e da Filosofia. Universidades públicas sendo acusadas de espaço para tráfico de drogas, prostituições etc.

Não tem sido fácil ser servidor público. Não é custoso lembrar que no front do enfrentamento da Covid-19, especialmente estão os trabalhadores(as) do setor público. Recentemente, vimos um pronunciamento do primeiro-ministro britânico Boris Johnson agradecendo ao serviço público, que salvou a sua vida do vírus nefasto. Só para lembrar que a Inglaterra é o berço do liberalismo econômico. Porém, no Brasil, vamos assistir, um dia após o primeiro de maio, dia de luta da classe trabalhadora – num sábado – a aprovação de um projeto, que não só veta o aumento de salário dos servidores públicos, mas também promoções, progressões, licenças-prêmio, incorporação etc. Como se nós fossemos culpados por todas as mazelas da máquina pública e da sociedade. Já vimos esse discurso na aprovação da reforma da previdência ano passado.

Se não enfrentarmos a narrativa que nos desmerece enquanto servidores públicos e dialogarmos com a sociedade, veremos avançar no Brasil uma luta entre as classes trabalhadoras(as). Não … não temos privilégios. Temos conquistas. Nossa luta não é para sermos diferentes ou superiores às demais classes. Nossa luta é para que todos(as) os trabalhadores(es), independentes do setor, privado ou público, tenham dignidade e sejam respeitados em seus direitos.

Celebremos sim o primeiro de maio com luta e não esqueçamos que todos(os) somos TRABALHADORES!

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