Protocolo define orientações para tratamento da chikungunya

Carlos Brito

Médicos pernambucanos, entre eles Carlos Brito, membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde (MS) e professor de Clínica Médica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concluíram um protocolo para o tratamento da chikungunya. O documento, que será divulgado oficialmente em breve pelo MS, alerta para o cuidado na administração de alguns tipos de medicamentos que podem causar o agravamento do quadro e até mesmo a morte de pacientes acometidos por esta arbovirose que tem como principais características fortes dores e inflamações nas articulações.

A medida foi tomada após relatos de automedicação e mesmo de prescrição médica de drogas como antiinflamatórios ou corticóides durante a fase aguda da doença e que seria um risco para a saúde dessas pessoas. Nas emergências, pacientes vêm recebendo injecções de dexametasona para aliviar, mais rapidamente, os sintomas de inchaço de que se queixam, inadvertidos do perigo que a droga representa, quando administrada entre o 10º e 14º dias da doença, quando geralmente acontece a fase aguda.

“A medicação com antiinflamatórios e corticóides nesta fase pode levar a complicações porque aumenta o risco de sangramento, complicando para casos de hemorragia e, principalmente nos idosos, podendo levar a um dano renal. Em outros países, como a Colômbia, já se faz essa associação. Aqui os médicos prescrevem por desconhecimento. É natural, é uma doença nova e também as pessoas se automedicam porque sentem muita dor nas articulações”, explica Brito, enfatizando a importância do protocolo. Na fase aguda, segundo o especialista, são indicados apenas os analgésicos que podem ser tylenol, dipirinona, paracetamol. “As dores também regridem com o bloqueio de analgésicos e a inflamação tende a regredir”, garante.

 Nesta quarta-feira, a Secretaria de Saúde do Recife inicia a capacitação de profissionais de saúde com base no protocolo de atendimento aos casos de chikungunya. Os cerca de 400 profissionais da rede municipal estarão reunidos a partir das 8h30, no auditório do Banco Central. Entre as novidades, a aplicação de um questionário sobre a intensidade da dor e a introdução de analgésicos mais potentes a serem distribuídos pela atenção básica de acordo com a prescrição médica.

Com informações do DP

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