Segundo o Sintraf, baixa procura e custo de produção prejudicaram venda de milho em Petrolina no período junino

(Foto: Divulgação)

Este ano, a produção de milho em Petrolina (PE) para abastecer o consumo do período junino foi de 500 mil espigas, bem abaixo da expectativa. A procura pelo produto, cujo saco estava sendo vendido nas feiras livres ao preço médio de R$ 30, também foi inferior em relação ao ano passado, quando o cento era de R$ 50, de acordo com o Sindicato dos Agricultores Familiares (Sintraf).

A queda na produção acontece por causa de alguns motivos. Há anos, por exemplo, os pequenos agricultores se queixam do baixo valor do milho, que em 10 anos nunca passou dos R$ 0,35 a espiga; o inverno registrado no interior do município também não foi suficiente para animar os produtores e o retorno financeiro não cobre nem os custos.

“O preço do milho é sempre o mesmo; o valor de produção é muito grande se comparado aos benefícios; e a procura está a cada ano menor ainda. Um agricultor planta 3 hectares de milho e não faz R$ 8 mil, em contrapartida ele gastou de R$ 5 a R$ 6 mil para produzir. É muito trabalho para pouco retorno, então eles não consideram tão viável plantar milho”, avalia o secretária de Políticas Agrícolas do Sintraf, Eliete Ferreira.

Neste período junino, o milho verde foi comercializado entre R$ 0,25 e R$ 0,30 a unidade, enquanto no mesmo período do ano passado o produto custava R$ 1, duas espigas. A produção tímida se refletiu no abastecimento para outros estados e cidades vizinhas – se em 2018, os agricultores venderam para Salvador, Recife, Campina Grande e Caruaru, em 2019 comercializaram apenas na região.

Com as capitais sendo as grandes compradoras de milho, a presidente da entidade representativa, Isália Damacena, diz que 2019 gerou a tempestade perfeita. “A economia do país continua ruim, Caruaru teve uma grande produção de milho e as capitais não tiveram interesse em negociar com a gente este ano”, afirma.

“Na realidade, o agricultor não para a sua produção para plantar milho, porque, a grosso modo, não vale a pena. Então planta-se o milho como uma alternativa”. Ela continua: “Petrolina tem uma tradição muito grande com as festas de São João, mas infelizmente a demanda pelo milho que mantém a tradição das comidas típicas tem diminuído muito”, concluiu a líder sindical.

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